Eleições municipais devem ter acirramento político novamente em 2016

Eleições municipais devem ter acirramento político novamente em 2016

No ano em que os juiz-foranos elegerão o próximo prefeito da cidade, assim como vice-prefeito e vereadores, o cenário de incertezas na política, diante dos escândalos e da recessão econômica do âmbito nacional, devem continuar pautando as discussões e debates ao longo da campanha a nível regional. Conforme o cientista político Raul Magalhães, em entrevista à Mesa de Debates da TVE/JF, as características dos votos na cidade indicam um acirramento na disputa entre os candidatos, embora nenhum nome tenha sido indicado para disputar os cargos até agora.
“Mesmo com um cenário desvitalizado em Juiz de Fora, a eleição deve ser competitiva em dois turnos. Ninguém deve levar de primeira. Aqui nunca houve eleições fáceis. O eleitorado é muito fragmentado. Ninguém se fecha com um candidato só. Isso deve se manter como padrão”, adiantou Magalhães.
Mas os reflexos do problema a nível nacional devem continuar preocupando o futuro líder do Executivo Municipal, conforme apontou o deputado federal Marcus Pestana (PSDB). Segundo ele, as perspectivas ainda não são otimistas.
“Devemos chegar ao final do ano com 11 milhões de desempregados, uma inflação crescente e o desaquecimento acima de 10%. Fechando com uma projeção em torno de 10%. Isso somado a outras coisas, como os indicadores comerciais em queda, revelam uma paralisia do sistema e do tecido econômico. Além disso, os escândalos que foram os maiores da história brasileira, que abalam profundamente a imagem do país no exterior e a corrupção institucionalizada”, afirmou o deputado.
Pestana explica que é preciso repensar toda a estrutura de gastos públicos, porque a sociedade não aguenta mais, segundo ele, pagar essa conta. “Tenho procurado ir contra os aumentos de carga tributária, mas sou uma voz solitária. O PT já mostrou a incapacidade em tirar o país dessa crise. Por isso, só vejo três caminhos para que a situação mude: o processo de impeachment da presidente; o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenando a chapa formada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB); ou ainda uma renúncia negociada, algo que não deve acontecer”, apontou.
Raul Magalhães explicitou que os candidatos são avaliados conforme o desempenho real deles em várias eleições. “Isso faz com que essas técnicas de comunicação e de marketing possam fazer ou não com que as pessoas consigam se eleger por mais de um mandato. Característica que faz parte do teste da democracia. O eleitor precisa distinguir aquilo que é mostrado para ele simplesmente como cosmética e quem efetivamente tem ação no mundo da política que possa contemplá-lo”, explicou.
As próximas eleições, conforme analisou o cientista político, devem ter uma participação ainda mais complexa, em função de todos os acontecimentos. Há, segundo ele, uma dificuldade de renovação dos partidos que possa, de maneira certeira, representar uma diferenciação nos quadros que temos.
“O eleitor não culpa apenas um partido. Ele está culpando um sistema político todo. O que é um desastre. Vou dar como exemplo o caso de dengue no Brasil, faz uns 25 anos que ouço falar sobre isso no país. Agora estamos quase abortando o sonho olímpico por causa de um mosquito. Esse eleitor que vai respirar fundo e ver a saída possível. Esse é o principal drama”, comentou.
Ainda sobre o questionamento se as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público andariam, caso o candidato Aécio Neves tivesse ganhado as últimas eleições, o advogado e conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Paulo Medina, disse que continuariam acontecendo da mesma forma.
“As Instituições realmente funcionam com mais eficiência e isso não se deve a uma infraestrutura especial ou apoio de qualquer ordem do governo. Ao contrário. Essas instituições a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Judiciário são do Estado e não do Governo. E graças a Constituição de 1988 e ao aperfeiçoamento que essas instituições vêm experimentando agem com plena independência não é razoável vincular uma situação a outra”, afirmou.
No caso dos problemas com a política nacional, Medina reiterou que a OAB não foi omissa aos fatos que ocorreram. “O assunto já tem sido levado ao plenário do conselho federal. Não podíamos adiar mais um posicionamento. Essa posição que eu defendo, ficou vencida, sobretudo por uma ação veemente daquele que havia sido um dos signatários do processo de abertura do pedido de impeachment do presidente Collor. Ele sustentou que a situação não é equiparável àquela do tempo do Collor, porque não havia um ilícito que pudesse ser atribuído diretamente à presidente, e o conselho acabou se manifestando, embora houvesse um parecer de uma comissão para analisar o assunto. Concluiu por três votos a dois que não havia motivo para o processo de impeachment e eu não compartilho dessa decisão”, contou.

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