Deputado protocola pedido de impeachment de Michel Temer

Deputado protocola pedido de impeachment de Michel Temer

*Colaboração Douglas Ribeiro

Após a imprensa nacional divulgar informações de que Joesley Batista, dono da JBS S.A., empresa relacionada na Operação Lava Jato, teria entregue uma gravação em que o presidente Michel Temer aparece dando aval para a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), as bases do Congresso Nacional se estremeceram. O vazamento das informações foi divulgado, em primeira mão, pelo jornal O Globo nessa quarta-feira, 17.

Depois de saber da notícia, o deputado Rodrigo Maia (PMDB), presidente da casa, encerrou a sessão em que era votado o repasse de recursos ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). No Senado, os parlamentares debatiam a PEC que extingue o foro privilegiado. A sessão também foi suspensa.

Momentos depois do encerramento da sessão, o deputado Alessandro Molon (Rede/RJ) protocolou um pedido de impeachment de Michel Temer. Em um vídeo postado em sua página do Facebook, o parlamentar informa aos jornalistas sobre a iniciativa.

“Já protocolei um pedido de impeachment de Michel Temer com base nessa delação. Ele [Temer] fere a lei de Crimes de Responsabilidade. Não há outra solução política ou constitucional razoável que não a eleição direta para Presidente da República. Não há fundamento que justifique que o Congresso, no meio de tanta suspeita e investigação, possa fazer uma eleição indireta, inconstitucional e que contrai a democracia”, afirmou o deputado.

Tanto na Câmara, quanto no Senado, os políticos começaram a especular sobre a atitude do atual presidente da república. Nas redes sociais, a oposição de Temer comentou a questão.

A deputada federal Margarida Salomão (PT/MG) também publicou um vídeo no Twitter condenando a atitude do presidente. "Há evidências materiais contra o presidente. Ele, sim, tem que ser punido", comenta a deputada em um trecho, em que pede eleições diretas.

O senador Lindbergh Farias (PT/RJ), responsável por dar a notícia em plenário, em um vídeo acompanhado da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), afirmou que os parlamentares da base governista admitem a gravidade da notícia.

“O Michel Temer foi gravado e agora tem provas. Não é uma delação com alguém dizendo sobre a propina. Esse governo tem que cair e o ideal é que ele renunciasse”, afirmou o parlamentar, que iria reunir os senadores da oposição.

DELAÇÕES TAMBÉM ENVOLVIAM AÉCIO NEVES E GUIDO MÂNTEGA

O jornal O Globo também divulgou trecho de uma gravação de 30 minutos de uma ligação entre Aécio Neves e o empresário Joesley Batista, no dia 24 de março, em que o senador (PSDB/MG) teria pedido a quantia de R$2 milhões para serem usados em sua defesa na Lava Jato.

"— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.
— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.", revela parte da gravação.

Em delação, o empresário afirmou, também, que o ex-ministro da Fazenda Guido Mântega, era seu elo com o Partido dos Trabalhadores. Joesley relatou que havia uma espécie de conta corrente para o PT e que o ex-ministro, como intermediário, teria a tarefa de passar o dinheiro para os parlamentares petistas envolvidos no esquema.

NOTA OFICIAL

Em nota oficial divulgada na noite dessa quarta-feira, 17, o Palácio do Planalto informou à imprensa que "o presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República".

A nota também diz que "o presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados".