Advogados e jornalistas debatem a crise política enfrentada no país

Advogados e jornalistas debatem a crise política enfrentada no país

Na última semana, a política brasileira foi surpreendida após os desdobramentos da 24ª fase da Lava Jato, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado a prestar esclarecimentos sobre um sítio em Atibaia e um triplex no Guarujá, ambos em São Paulo. Porém, foi muito questionada a forma como Lula foi abordado pela Polícia Federal (PF), visto que na condução coercitiva compete ao agente policial conduzir pessoas a prestar depoimento, em casos que esta não atende a uma intimação anterior, sendo que Lula alega não ter recebido nenhuma intimação anterior.

Em entrevista à Mesa de Debates, da TVE Juiz de Fora, Helena da Motta Salles, presidente da Comissão da Verdade de Juiz de Fora (CMV-JF) e também cientista política, afirma que se vive uma grave ameaça ao sistema democrático de direito. “Muitos juristas questionaram se seria necessário ‘armar o circo’ em torno do ex-presidente Lula. Até porque não houve da parte dele uma negativa a prestar qualquer esclarecimento”, explica.

Helena ainda critica a isenção das investigações da PF. “A Odebrecht, que está no centro das investigações, também financiou a campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC); ela também financiou o Instituto FHC, e não se fala nisso. No caso, por exemplo, do Aécio neves, o nome dele já apareceu em três delatores da Lava jato, e está aí. Há casos que atingem outros políticos de outras correntes políticas e não se fala nisso”, afirma.

O advogado José Augusto de Carvalho, no entanto afirma que é previsível em lei a condução coercitiva de Lula, já que o ex-presidente foi mencionado em vários depoimentos. “O próprio advogado de Lula o instruiu a fazer o depoimento. Eles conversaram antes do depoimento e não houve constrangimento nenhum”, explica.

Francisco de Barros de Mello Neto, no entanto, afirma que a medida foi um tanto quanto grave “na minha posição inicial me permitiria aderir à tese de que foi uma medida muito grave para um ex-presidente que tenha todo o interesse em esclarecer as situações. No entanto, ele é ex-presidente e não está acima da lei, ele não é inimputável”.

A jornalista Neusa Bernardes afirma que na política atual, o Brasil está longe de ter algum tipo de sossego. “Politicamente a gente está longe de ter um sossego, porque não sabemos que rumo estas coisas vão tomar. O que a gente precisa é ter coragem para enfrentar as nossas verdades. O que for verdade e aparecer vai ter que ser administrado e a gente só vai sair dessa crise econômica depois que a gente enfrentar essa situação política. A gente precisa ter credibilidade e o nosso político hoje não tem. O nosso político hoje está desacreditado e a nossa parte econômico-financeira está sofrendo com isso”, finaliza.