Rodrigo Tortoriello narra desafio de coordenar mudanças em diversas setores na Settra

Rodrigo Tortoriello narra desafio de coordenar mudanças em diversas setores na Settra

Foram muitas e difíceis mudanças em quatro anos. Todas acontecendo ao mesmo tempo, algo que demandou um esforço e uma coordenação proporcionalmente difíceis, conforme o titular da Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra), Rodrigo Mata Tortoriello. A organização da equipe para todos os desafios foi apontada por ele o maior desafio da última gestão.


“Eram muitos assuntos para tratar ao mesmo tempo, e era necessário que toda equipe estivesse muito bem articulada para que tudo corresse dentro dos prazos, e no final tudo tem dado certo”, pontua. Foi na primeira gestão do prefeito Bruno Siqueira que foi iniciada e executada a licitação do transporte público, que levou três anos para chegar à conclusão.


Ele destaca que a Área Azul também foi remodelada e conta com diversas formas de pagamento, desde parquímetros até pelo aplicativo. O serviço de táxi também passou por licitação, que durou dois anos e ainda está em andamento, porque nem todos os nomes incluídos na lista foram chamados, e como a validade da concorrência vale até o final deste ano, ainda é possível que outras chamadas ocorram.


Os corredores do passagem dos ônibus também foram modificados, e por meio de recursos tecnológicos, as viagens no transporte público puderam ser otimizadas, conforme o secretário. “Um GPS envia a localização do veículo e permite a reprogramação de horários, readequando-os à oferta. Havia um abismo muito grande entre o que era planejado e o que era operado na realidade. Hoje sabemos que os horários estão muito mais próximos da realidade do que antigamente. Além disso, temos o No Ponto, que informa o horário de passagem do ônibus, as câmeras de monitoramento do trânsito, a parceria com o Waze e o Centro de Controle e Monitoramento do Trânsito com informação em tempo real, por exemplo. Todas essas tecnologias ajudam muito no deslocamento”, avalia o secretário.


Algumas dessas tecnologias chegaram a Juiz de Fora antes mesmo de passar por grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, como ressalta Tortoriello. “Auxiliamos a cidade de São Paulo na adesão ao Waze. Quando nós começamos, não havia nem modelo de contrato, tivemos que criar um. Fomos a quarta cidade no Brasil a receber essa tecnologia. É um orgulho muito grande servir de inspiração para cidades maiores, com problemas maiores, o que nos coloca como um exemplo bacana de cidade representativa”, comemora.


Assim como o Waze, o sistema de Área Azul também foi um modelo para a capital paulista. “Lá eles não utilizam das mesmas formas de pagamento que nós. Colocaram apenas o aplicativo a disposição, enquanto nós contamos com a compra direta com os vendedores, no parquímetro, e também pelo aplicativo. Mas o modelo de Área Azul implantado por eles também foi inspirado no nosso”, acrescenta.


Não só a coordenação da equipe para lidar com todas essas frentes, mas também a manutenção das outras atividades da pasta também representaram um desafio para a Settra. “Precisamos tocar todos esse projetos em paralelo, sem deixar a manutenção da sinalização vertical e horizontal e todas as fiscalizações”, exclamou.
A Settra trabalha com dois pilares centrais, que é cuidar do transporte público, seja ele escolar, em ônibus, táxis ou fretamento, e tudo o que diz respeito à fiscalização, em grupos de agentes, cada um responsável por uma demanda. Além disso, a pasta cuida da sinalização das vias, de autorizações especiais como mudanças fora do horário indicado, credenciais de idosos e portadores de deficiência. A secretaria conta ainda com um departamento de estudos e projetos para transporte e trânsito, como inversão de mão, alteração de trevos e abertura de novas vias.


A equipe da Settra também elaborou, em conjunto com a Secretaria de Planejamento e com a Secretaria de Obras, a implantação dos binários da Avenida Brasil e da Rua Dom Silvério. “O binário da Avenida Brasil não saiu do projeto em 20 anos. Era uma ação pensada há muitos anos, mas que precisava ser implantada. Agora nós fazemos a avaliação constante dos binários. Na margem esquerda da Avenida Brasil, por exemplo, no sentido Vila Ideal-Santa Terezinha, os congestionamentos eram constantes, assim como no trecho entre o viaduto Augusto Franco, até o cruzamento entre a Avenida Brasil e a Rio Branco, próximo ao bairro Manoel Honório, que funcionava em mão dupla e tinha fila nos dois sentidos. Hoje a pista está liberada, o que aumenta a velocidade do atendimento do transporte coletivo, por exemplo”, pontua.


Para Tortoriello, o benefício chega a 20 minutos a menos no trajeto de bairros da zona Sudeste, como o Vitorino Braga. “Muitas pessoas passam nesses lugares que tinham um nó no tráfego e não se recordam dos problemas que tínhamos antes”, considera o secretário.

METAS


As principais metas para o segundo mandato de Bruno Siqueira estão dentro das diretrizes elaboradas em um planejamento estratégico, que deve ser finalizado ainda em janeiro. Mas Tortoriello adianta que a continuidade nas ações implantadas na primeira gestão deve ser mantida.


“Temos desafios como a implantação de alguns pontos do Transporte Coletivo. Vamos continuar cobrando as empresas, e aos poucos as coisas vão se ajeitando. Mas ainda há muito o que fazer. Não temos wi-fi em todos os veículos da frota, e até o fim do mês esperamos que toda a frota atenda o bilhete único. Também esperamos que ele possa ter a venda de crédito expandida para a internet”, considera.


Ainda de acordo com ele, as exigências da biometria e do monitoramento de câmeras também começarão a ser feitas. “Também vamos exigir uma melhora na qualidade do serviço prestado pelos taxistas. Com isso, nossa intenção é criar uma identificação. Vamos criar um selo de qualidade, para que o taxista com bom desempenho possa ser facilmente identificado pelo usuário”, antecipa o titular da Settra.


Ainda na avaliação dele, houve um avanço muito grande na inserção da bicicletas no tráfego, por meio das ciclorrotas, mas a continuação das ações educativas permanecem e, nas próximas semanas, um material de divulgação novo deve ser distribuído na cidade. Ele também comenta que a Engenharia de Tráfego deve ser empregada em situações alternativas para o trânsito da cidade.


Rodrigo Tortoriello também adianta que as obras de reestruturação da Avenida dos Andradas e da Getúlio Vargas também podem começar ainda em 2017, e o número de câmeras do sistema de monitoramento do tráfego também deve aumentar. O complemento do Projeto JF+ Mobilidade deve ser incrementado ao longo dos próximos quatro anos.


“É muito gratificante participar de todos esses processos. Partimos de uma base onde praticamente não havia tecnologia, para nos tornamos expoentes em otimização das informações no transporte coletivo para as cidades brasileiras. Sabemos que a cidade nunca vai alcançar 100% de resolução dos problemas, porque ela é um organismo vivo, se adapta e muda de comportamento diariamente. Nós demos um salto em qualidade operacional interno e externo. Mas o desafio continua grande, porque quanto mais subirmos o nível de qualidade de um serviço, maior são a exigência e o número de cobranças e temos que estar preparados e dispostos para isso”, conclui.

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Biografia
Rodrigo Mata Tortoriello é especializado em gestão pública pelo Centro de Liderança Pública (CLP)/ Harvard Kennedy School e em transportes pelo Programa de Engenharia de Transportes/Coppe pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É graduado em administração pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pós-graduado em Administração e Estratégia de Marketing (Faculdade Machado Sobrinho). Atualmente, preside o Fórum Mineiro Gerenciadores de Transporte e Trânsito. Atuou como secretário de Transporte e Trânsito da Prefeitura de Juiz de Fora entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016.

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