Recicladores de Uberlândia participam de capacitação cooperativa

Recicladores de Uberlândia participam de capacitação cooperativa

As associações de coleta seletiva de Uberlândia deram início à segunda etapa do Programa Cultura da Cooperação, promovido pelo Sebrae em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub). O programa de capacitação visa a desenvolver os grupos para agir cooperativamente.
Em continuidade ao cronograma dos encontros ocorridos no mês passado, os associados da coleta seletiva tomaram nota dos gráficos criados a partir dos diagnósticos dos princípios de organização grupal, como ações comuns, integração, valores, confiança, autonomia e consenso.
“É fundamental que as associações pratiquem os princípios da cooperação de forma equilibrada para sustentar as práticas”, informou a consultora credenciada do Sebrae, Regina Silva.
A capacitação, com término previsto para 2017, tem carga horária de 152 horas e acontece em quatro etapas: autodiagnóstico, formação, consolidação e emancipação. Cada etapa tem um número específico de encontros para trabalhar os temas. Para a presidente da Associação de Recicladores e Catadores Autônomos (Arca), Helena Maria de Souza, o ponto mais crítico tem sido a confiança.
“Há uma falta de confiança no gestor da associação, que é o responsável pelo trâmite. É preciso que os trabalhadores entendam que a associação é de todos. Somos um conjunto de pessoas que resolveram trabalhar juntas, mas na maioria das vezes os associados não vestem a camisa, trabalham para si próprio”, expôs Helena Maria.
Em contrapartida, a presidente alega que a união entre as associações tem dado certo e vai gerar resultados positivos. “Estamos lidando bem. Recentemente fechamos um acordo para vendermos juntos para um fábrica. Dessa maneira saímos da mão do atravessador”, completou.
O reciclador e artesão Cristiano Souza voltou a Uberlândia para tentar montar um projeto dentro dos barracões de triagem. Ele afirmou que a experiência que teve em países europeus e em outras cidades brasileiras pode auxiliar os catadores a agregar mais valor ao produto.
“É importante transformar os recicláveis em móveis, obras de arte. Eu entendo que reciclagem é para gente inteligente. Nos outros países é uma área em que trabalham pessoas com curso superior. Só no Brasil, na Índia, na África e países pobres é que a reciclagem é feita por pessoas que foram excluídas do mercado. Quero trazer para cá essa ideia de não só encher os caminhões com fardo, mas também trabalhar esse material e criar uma linha de artesanato de exportação ou venda na cidade local, porque vai fazer muito mais dinheiro”, disse Souza.
Desde 1992 no segmento, Cristiano Souza acredita que o galpão de triagem deve ter um laboratório para pesquisar o material e criar novas possibilidades para agregar mais valor a ele. “Um quilo de papelão custa R$0,30, mas com esse mesmo quilo eu faço uma cadeira que custa R$500. Porque só pegar e colocar no caminhão fica muito mecânico. E o ser humano é criativo por natureza”, justificou.
O presidente da Associação dos Catadores e Recicladores do Bairro Taiaman (AssoTaiaman), Roosevelt Martins, entende que além dos problemas internos, a consolidação da coleta seletiva depende bastante da educação da sociedade. Martins apontou que as associações contam com planejamento estratégico e uma das maiores ambições é colocar pelo menos cem catadores que ficam nas ruas dentro de cada grupo. “Queremos arrumar pessoas que queiram compartilhar das ações. Mas precisamos de muito material e hoje não temos a quantidade adequada. Por isso, estamos fazendo a conscientização nos bairros novamente”, comentou.