Pesquisa revela que Comportamento machista leva à violência nas universidades

Pesquisa revela que Comportamento machista leva à violência nas universidades

Pesquisa feita com alunos de cursos superiores mostra que há um comportamento “machista” por trás de atos de violência praticados contra mulheres em campi universitários públicos e privados. Os ataques incluem estupros e assédio sexual, além de outras humilhações às mulheres cometidas em festas estudantis, em recepções aos calouros, no caminho de ida ou volta das salas de aula e outras circunstâncias que favoreçam as agressões.
O levantamento – encomendado pelo Instituto Avon ao Data Popular – foi feito com 1.823 estudantes dos sexos feminino e masculino de todas as regiões do país, sendo que mais da metade dos entrevistados (51%) têm entre 16 e 25 anos, 53% são da classe média e 76% estudam em faculdades particulares.
Segundo Renato Meirelles, presidente do Data Popular, 2,9 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de violência física nas universidades. Para o diretor, depois de formados, os universitários acabam levando para o seu dia dia os efeitos de um comportamento machista, que é multiplicado, e resulta em distorções no mercado de trabalho.
Do total de alunas consultadas, 42% declararam que já sentiram medo de sofrer violência no ambiente universitário. Outras 36% contaram ter deixado de fazer alguma atividade em função desse temor. Os casos de estupro foram apontados por 14% das estudantes, e 11% disseram já ter sofrido tentativa de abuso sexual por estarem sob o efeito de bebida alcoólica. Em relação ao assédio sexual, 73% disseram conhecer casos; 56% declararam-se vítimas e 26% confessaram ter cometido algum tipo de assédio. Há situações de professores terem oferecido “presentinhos em troca de uma prova mais fácil”.
As entrevistas foram feitas pela internet. Uma estudante relatou que “uma menina foi estuprada na festa, dormindo. Em outra festa, soube que deram droga para outra sem ela saber, e também foi estuprada”. Já um dos alunos disse que “tem mulher que não se respeita, que usa umas roupas pra se oferecer”.
Os atos classificados como coerção foram apontados por 12% das alunas entrevistadas, e 11% disseram ter sido coagidas a participar de desfiles, leilões ou outras atividades degradantes. Para 27% dos alunos do sexo masculino é normal abusar de uma garota se ela estiver alcoolizada e 35% deles também não consideram ser violência coagir uma mulher a participar de atividades degradantes como desfiles e leilões.

(Fonte: Agência Brasil)