Apneia do sono prejudica qualidade de vida

Apneia do sono prejudica qualidade de vida

A apneia obstrutiva do sono, síndrome caracterizada por eventos recorrentes de obstrução da respiração durante o sono, podem prejudicar a saúde do paciente como um todo. Mais conhecida popularmente pelo ronco muito alto e por crises de sonolência excessiva, a síndrome pode ser composta por eventos completos, a chamada apneia, ou por uma queda parcial, a hipopneia.


Segundo o otorrinolaringologista Thiago de Oliveira Barros, os principais sintomas da doença também podem ser percebidos como uma intensificação de sintomas observados em pessoas que dormem mal. “Os principais sinais da apneia são a sonolência durante o dia, com tendência em cochilar em qualquer situação, além da presença de ronco, combinado com pausas respiratórias muito longas e com uma espécie de explosão na volta da respiração; sintomas geralmente percebidos por pessoas que dormem junto com o paciente. Esses sintomas, acompanhados de alterações cognitivas com perda de concentração, dificuldade de memorização, dor de cabeça matinal nas primeiras horas da manhã, irritabilidade, depressão, ansiedade e redução da libido, podem caracterizar a apneia. Durante o período noturno, o paciente também pode levantar várias vezes para ir ao banheiro à noite e ter sudorese excessiva”.


A síndrome pode acometer também crianças, mas, segundo o médico, é necessário ter atenção no diagnóstico. “No paciente pediátrico, a criança não fica sonolenta, mas irritada e agitada. Muitas vezes, o diagnóstico é confundido com transtorno de hiperatividade. Nos adultos, o diagnóstico é feito por exclusão e por meio de exame. Temos que excluir algumas causas de sonolência, mas os sintomas como o ronco, as pausas respiratórias, a sonolência excessiva, junto com a polissonografia, exame padrão para avaliar estudos respiratórios do sono, podem verificar a apneia”.


Em alguns casos, o exame também pode ser realizado em casa, segundo Barros. “Hoje em dia, o diagnóstico pode ser feito em clínicas de sono, como também em casa, quando um técnico vai para a casa do paciente e faz o monitoramento, observando as fases de sono do paciente, se ele consegue aprofundar o sono, se a respiração está correta, com que frequência acontecem as paradas, além da avaliação da oxigenação, da frequência cardíaca e da posição na cama, por exemplo”.


É importante destacar que a síndrome vai além do ronco exagerado que pode incomodar as outras pessoas. A apneia pode prejudicar a qualidade de vida do paciente. “O paciente pode ter desde problemas como a sonolência excessiva durante o dia, que pode levar a acidentes de trânsito e no trabalho, além de apresentar um quadro de resistência a insulina, diabetes e obesidade. Inclusive, a síndrome está relacionada à obesidade, contribuindo para a piora de um ciclo que se perpetua nesse paciente. A apneia pode estar fortemente relacionada à hipertensão, arritmias cardíacas e a morte súbita durante as primeiras horas da manhã”.


Segundo Barros, o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. “No primeiro plano, o paciente deve manter a ‘higiene do sono’, assim como qualquer pessoa saudável, com o objetivo de melhorar a qualidade do sono sem medida medicamentosa ou cirúrgica. Esses passos envolvem evitar excesso de cafeína, álcool, medicações que geram relaxamento maior na musculatura como os anseolíticos, além de realizar atividades físicas, perder peso, ter uma vida saudável. Para direcionar o tratamento de maneira correta, tem que ter a polissonografia para saber se a apneia é leve, moderada ou grave, o que vai classificar a necessidade de cirurgia. Nos casos leves e moderados, a cirurgia é mais indicada para corrigir o problema. Nos casos mais extremos, o paciente deve usar um equipamento para conter as pausas respiratórias. De qualquer forma, o tratamento é individualizado e o paciente deve consultar um médico”, finaliza.