As derrotas e a autoestima

As derrotas e a autoestima

Ninguém nega a importância da auto-estima: você, gostando de você.

Mais que gostar é preciso também que acreditemos em nós.

Não basta que gostemos de nós; é mister acreditemos em nós e nos vejamos como alguém que realmente nos agrade.

E que, acima de tudo, nos aceitemos, com nossos defeitos e imperfeições, lutando constantemente pelo nosso aperfeiçoamento.

As vitórias, os elogios, os momentos de sucesso são, naturalmente, fatores que massageiam o nosso ego e, assim, de certo modo elevam nossa auto-estima.

Ao contrário, as derrotas, as perdas, as desilusões acabam, também de certo modo, afetando a nossa auto-estima.

Há momentos em nossas vidas que a gente chega a duvidar de nossa competência e do acerto de decisões que tomamos.

Permitimo-nos lembrar aqui a estória da bailarina: uma jovem era brilhante bailarina e aproveitou-se da oportunidade de tentar um teste num grupo teatral que passava pela sua terra.

Procurou o coreógrafo e se apresentou. O coreógrafo pediu-lhe, então, que dançasse para ele.

Deu ela tudo o que tinha de si. Afinal, indagou ao coreógrafo: fui bem, tenho chances de ser uma grande bailarina?

E o experiente profissional respondeu: não, você não foi bem, não tem chances de ser uma grande bailarina.

Aquilo soou para ela como uma catástrofe. Saiu dali, derrotada, abandonou o balé.

Anos depois, já casada, toma conhecimento de que, à cidade, voltara aquele mesmo grupo teatral, e, coincidentemente, com o mesmo coreógrafo. Resolveu então procurar aquele coreógrafo, não mais para buscar uma oportunidade, mas para um desabafo: dizer a ele o quanto teria sido prejudicial à sua vida, o quanto de mal lhe fizera.

E, ao encontrar-se com o coreógrafo, indagou: o Sr. se lembra de mim? Ao que o coreógrafo respondeu: não. Continuou então: pois, bem, vou ajudar-lhe a lembrar. Sou aquela menina que lhe procurou há muitos anos atrás em busca de uma oportunidade e o Sr. disse que eu não tinha futuro como bailarina.

Vim aqui para dizer-lhe o mal que isso me fez durante todos esses anos. O coreógrafo retrucou: mas eu digo isso a todas as que se apresentam. E a já madura bailarina insistiu: quer dizer então que eu tinha uma chance? O coreógrafo respondeu: não. Ora, não entendo então, voltou a questionar a bailarina.

O coreografo pausadamente pediu se sentasse e explicou: quando eu digo às meninas que não têm chance é porque quero ver se são capazes de reagir, de manter a sua autoconfiança, mesmo diante dos comentários negativos. Como você não me questionou, não discordou, não confiou em si própria você nunca seria uma grande bailarina.

Essa estória, de certo modo revestida de um pouco de crueldade, retrata bem a conduta das pessoas diante das derrotas, dos erros, das avaliações das outras pessoas. Perdem a confiança em si e a própria auto-estima, à simples avaliação ou opinião das outras pessoas.Já se disse que as más palavras ferem mais do que as espadas afiadas.

Por isso, é preciso que você saiba sempre distinguir. Peça a Deus que lhe dê serenidade para distinguir, para separar o joio do trigo. Receba sempre as críticas, as derrotas, as avaliações negativas, as perdas. Primeiro procure verificar se, realmente, elas não representam uma oportunidade de crescimento.

Que bom que alguém descobriu defeitos seus e lhe deu a oportunidade de corrigi-los.

Depois de tirar proveito do seu erro, do seu defeito, da sua derrota, busque o seu crescimento. Os momentos de erros, derrotas e perdas são os mais oportunos para o crescimento. Como diz o cancioneiro popular: “levanta, sacode a poeira, dá volta por cima”. Restabeleça o seu entusiasmo, revigore suas forças...

Prossiga na sua trajetória, encarando todas as dificuldades como pedras naturais de um caminho, das quais você deve carinhosamente se desviar.Compreenda afinal que tudo passa. Os bons momentos e os ruins também. Não desista. Não perca a confiança. Siga em frente.