Jeitinhos e Soluções

Jeitinhos e Soluções

Assunto sério, nas atividades profissionais, especialmente ante questões relevantes e de repercussão, diz respeito à solução das questões apresentadas. Isso é muito importante especialmente na área do direito. É preciso aprender a distinguir jeitinho de soluções. Não são poucas as pessoas que confundem seriamente os dois conceitos e, assim, acabam tendo problemas de difícil resolução. Não são poucas as questões que nos são apresentadas, no dia a dia, a exigir soluções. Soluções exigem pesquisa, estudo, reflexão e, acima de tudo, debates. Não existem fórmulas mágicas para se encontrar soluções para problemas. Daí porque não são poucos os que se conformam em não procurar soluções, mas jeitinhos. Jeitinhos são coisas bem diferentes de soluções. Algo bem brasileiro. No jeitinho você não resolve o problema, mas o adia. E, não poucas vezes, cria outros piores. Não são poucos os que fornecem soluções rápidas para um problema. E as pessoas ficam satisfeitas porque aquilo que um profissional colocou tanta dificuldade o outro resolveu num toque de mágica. Mas é preciso ter muito cuidado com esse toque de mágica. Questões complexas podem ter soluções simples podem. Mas nem sempre é assim. Dar um jeitinho na tosse pode ser tomar um antitussígeno, mas isso pode trazer sérias complicações. O remédio pode esconder um mal maior. Dentre as profissões os Contadores também são muito chamados ao jeitinho. Quando vão fazer uma declaração de imposto de renda os fatos já ocorreram. E têm que ser documentados. É momento de optar entre a solução e o jeitinho. A empresa fez uma aquisição mas não tem nota fiscal da compra. Para resolver o problema o dinheiro vai para o Caixa. Sabem os Contadores quanto isso é sério. Mais jeitinho que solução. Também os advogados. Determinada transação não pode ser feita, por exemplo, um imóvel de um incapaz sem prévio alvará judicial não pode ser adquirido. Um advogado comprometido dirá: vamos, primeiro, requerer o alvará para venda do bem e, depois, vamos formalizar a transação. Outro poderia sugerir: o preço está bom, vamos comprar primeiro e depois resolvemos o problema da autorização judicial. Não vem o alvará. O problema foi criado. Quantos recibos de assessoria não foram dados nos últimos tempos e trouxeram sérios complicadores. Quer-nos parecer que nos dias atuais a grande maioria das pessoas e empresários não está atrás de jeitinho. Querem soluções. Que sejam objetivas, sim, mas que tragam segurança jurídica.