JUIZ DE FORA SERIA CAPITAL DE UM ESTADO LITORÂNEO

JUIZ DE FORA SERIA CAPITAL DE UM ESTADO LITORÂNEO

Em diversos momentos da história da cidade, surgiram opiniões e movimentos pontuais com vista a separar a Zona da Mata do restante de Minas, somar esse território a partes do Espírito Santo ou Rio de Janeiro e criar, assim, um novo Estado da federação.

Em todas as situações imaginadas, Juiz de Fora era apontada como a capital do futuro Estado.
Movimentos separatistas nunca foram novidades ao longo da história mineira. Já quiseram separar o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas. Já quiseram fundir parte do nosso Estado com parte de São Paulo. E até livro chegou a ser publicado em defesa dessas ideias.

A grande argumentação que se tinha - e ainda têm os simpatizantes com o tema - é a grande extensão do nosso Estado, suas marcantes diferenças regionais, a grande concentração de poder e de investimentos na Região Metropolitana da capital BH e o abandono.

Quando o norte do Rio de Janeiro e o Espírito Santo receberam as benesses federais dos incentivos econômicos para atração de empresas no final dos anos 60, ficou mais evidente ainda o futuro de estagnação que a Zona da Mata mineira passaria a ter nas décadas seguintes. Naquele momento, acontecia em Juiz de Fora um pioneiro seminário, promovido pela prefeitura local, e que atraiu lideranças políticas e empresariais de toda a região e da capital para discutir os caminhos do desenvolvimento.

Como um dos resultados daquele encontro, apareceu uma fervorosa tese de divisão de Minas Gerais e incorporação de parte do norte do Rio. A imprensa da cidade deu cobertura ao movimento que chegou a elaborar até um mapa do que seria aquela nova unidade da federação. Juiz de Fora era apontada como a capital. Itaperuna, cidade do noroeste do Rio de Janeiro, pertenceria ao futuro Estado, que teria sua divisa ao longo do Rio Itabapoana, que nasce na Serra do Caparaó. E o seu nome seria PARAÍBA DO SUL. E quem nascesse aqui deixaria de ser mineiro para ser SUL-PARAIBANO.

Da perplexidade diante da ideia, veio alguma simpatia por parte de políticos locais, de empresários e de lideranças de outras cidades que comporiam o novo Estado. O Estado de Paraíba do Sul teria, assim, uma saída para o Oceano Atlântico, onde políticos locais já sonhavam com belas praias e a construção de um porto. Tenho um arquivo em meu acervo com mais de 200 páginas sobre o assunto, que poderia render uma boa dissertação ou mesmo um livro.

O movimento não prosperou, uma vez que sequer virou processo na Assembléia de Minas ou no Congresso Nacional. Itamar Franco era o prefeito de Juiz de Fora na época e não foi simpático à ideia.

Logotipo do Grupo DMI    Logotipo da Agência Formigueiro