Condomínio deve ser visto com uma visão humanista

Condomínio deve ser visto com uma visão humanista

Agradeço aos estimados leitores do nosso modesto artigo usando um pensamento de François de La Rochefoucauld: “Só achamos que outros têm bom senso quando compartilham com nossa opinião”. Daí porque considero determinadas ações praticadas nos condomínios uma violência, pois condomínio é uma morada coletiva e como tal tem que ser vista, pois a complexidade de administrá-lo exige além de conhecimento específico, mas também uma visão humanista, uma vez que as ações de modo geral atingem a todos os seus moradores condôminos ou moradores. Daí precisam ser planejadas, discutidas em assembleia onde todos devem ser convocados e terem conhecimento do que será discutido, não esquecendo que existem quóruns para cada caso e estes devem e tem que ser observados.


Infelizmente há ausência de grande número de condôminos nas assembleias de condomínios, onde existem os dispersos e desinteressados, avessos a novas propostas e ideias, esquecendo-se que os condomínios precisam ser eficientes e eficazes, pois todos pagam as contas. A missão do síndico tem em suas tarefas o envolvimento dos condôminos, que às vezes não participam porque faltam-lhes uma visão da importância de suas presenças à assembleia, razão pela qual uso a expressão “condomínio de qualidade corresponde a condôminos de qualidade”, que devem ser dedicados ao interesse coletivo, fiéis aos princípios da participação e da ética.


Há condôminos que pouco ou nada se importam com as assembleias e até mesmo não leem as atas. Aparentemente, consideram a participação nas reuniões subalternas. Falta-lhes tempo, disposição e boa vontade para sair da zona de conforto e ir à luta por um condomínio melhor.


Sociologicamente, condomínio é um grupo espontâneo, onde cada um escolhe o apartamento onde morar, mas não os seus vizinhos. Daí podemos fazer uma analogia ao que ocorre no trabalho: “se não faço o que gosto, tenho que aprender a gostar do que faço”. Razão pelo qual o vizinho passa a ser o parente mais próximo e, certamente, precisamos aprender a conviver com as diferenças.


Os condôminos pagam suas taxas mensais ou o que devido, mas só isto é pouco para a vida coletiva, ou seja, para a comunidade condominial.


A participação de todos tem que fazer parte do planejamento do trabalho do síndico, uma vez que irá contribuir com uma harmonia e uma melhoria de vida no condomínio, permitindo uma alternância administrativa, o que deveria constar na convenção, onde por certo teríamos acesso de novas lideranças.


Os síndicos precisam aprender que é impossível viver sem conflitos. Pessoas são diferentes umas das outras, tem histórias diferentes, hábitos, valores e temperamentos diferentes. Em qualquer lugar onde existem convivências e objetivos comuns, sobretudo nos condomínios, os conflitos são inevitáveis.


O problema é que as pessoas tendem a encarar os conflitos negativamente, como se fossem situações indesejáveis. Por isso, muitas vezes, negam a existência dos mesmos e fingem ignorá-los. É claro que um conflito que degenera em briga ou ataques pessoais é destrutivo. Mas o conflito bem administrado, com sinceridade, honestidade e real desejo de achar uma solução conciliatória, contribui para o crescimento das pessoas e para a harmonia e a felicidade. Eis aí uma tarefa que os síndicos precisam aprender a lidar, para que possam ter uma liderança eficaz e consigam a harmonia em seu condomínio.


O ser humano é um animal social. Essa afirmativa de Aristóteles já foi acolhida pelas ciências que estudam a humanidade, razão pela qual podemos afirmar que não haverá um condomínio de qualidade sem a participação dos seus membros, ou seja, seu condôminos e moradores.


Até o próximo!


Não se esqueçam de participar do Dia do Síndico. Inscrições pelo telefone (32) 3212-3329.

 

 

TIRANDO TODAS AS DÚVIDAS


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Respostas por Flávio Almeida Chaves Pereira - Consultor Condominial

Maria do Carmo: Moro no último andar e gostaria de utilizar a laje. O que devo fazer para resolver isso?


Resp: O direito de construir sobre a laje do último andar deve vir expresso na convenção de condomínio. Se não está expresso na convenção, a eventual construção sobre a laje depende de autorização expressa da totalidade dos condôminos do edifício. Quanto a capacidade da carga adicional, deve-se consultar o engenheiro responsável pelos cálculos estruturais do prédio ou outro especialista, que em laudo técnico demonstre a possibilidade de construção sem risco. Finalmente, o projeto deverá ser apresentado a prefeitura municipal para obtenção da licença de obra.

 

João Rodrigues: É verdade que se apenas um condômino não for convocado para a assembleia, esta não poderá deliberar?


Resp: Essa foi inovação do novo Código Civil, que determina em seu artigo 1.354: “A assembleia não poderá deliberar se todos os condôminos não forem convocados para a reunião”.

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