A imprevisibilidade da vida

A imprevisibilidade da vida

Ao sentar para escrever esta coluna me deparei mais uma vez com a imprevisibilidade da vida. Já tinha o texto da semana pronto, sentia-me alegre por falar das vitórias dos atletas brasileiros nas Paralimpíadas, do aprendizado que tirei ao observar a garra e a determinação com a qual eles encaram as adversidades. Porém, acabei sendo tocada pela prematura e inesperada partida de Domingos Montagner. E como já se dizia, para tudo se tem jeito, menos para a morte.


O tema não é incomum e talvez seja a única certeza de que temos na vida. Mas, mesmo assim, jamais estamos preparados. Nós, em algum momento, provavelmente já lemos algum texto em que se frisa o quanto é importante dizer que se amar agora, viver intensamente, não ficar deixando sempre para o “amanhã”, porque ele pode simplesmente não existir. Admito que sempre fico um pouco impressionada, mas também sei que não coloco exatamente os ensinamentos em prática.


Às vezes, temos o insano hábito de fazer mil projetos, deixar para ir àquele restaurante bacana no próximo mês, fazer os roteiros de viagem para o destino mais paradisíaco, sem jamais tirar aqueles planos do papel. No próximo ano vou fazer dieta, estudar, dar entrada em um carro. É um viver baseado no futuro, como se o mesmo fosse garantido. Daí você acorda um dia e descobre que ele não virá.


Tive um primo que faleceu com aproximadamente 25 anos. Muito, muito jovem. Ele estava comemorando o aniversário quando sofreu um grave acidente. Nós o perdemos menos de um mês depois. Quem diria que aquele rapaz, cheio de saúde, com um filho pequeno, não estaria aí para aproveitar todo o restante de sua vida. Foi um choque. Até hoje ainda é.


Esta semana antecede minha volta a Portugal. O coração está apertado. Talvez seja por isso que eu esteja mais emotiva, com mais medo de me afastar das pessoas que amo. Talvez a cada dia eu perceba o quanto somos frágeis e como devemos prezar pelo agora. O agora é o real; o resto é fantasia. E pela primeira vez, ao escrever a frase “Até a próxima”, que em geral fecha a coluna, parei para desejar que sim, que haja uma próxima, seja ela uma oportunidade de amar mais, de rir mais e ser mais grata pelo dom da vida.


Então... Inté!