Por um mundo com menos “achismo”

Por um mundo com menos “achismo”

Do pão de queijo ao pastel de Belém

Existe um termo que muitas pessoas, inclusive eu, utilizamos com relativa frequência: o acho. É um tal de acho que vai chover, acho que ele é assim, acho que você deveria fazer de outra maneira... Sempre supomos algo e, por vezes, baseamos nossas ações nessas crenças, como se todos tivéssemos Doutorado na área.

O problema surge quando esse "achismo" passa a limitar nossas ações e impossibilitar a realização de coisas que nos tornariam mais felizes ou libertos. Não usarei essa roupa porque as pessoas vão achar vulgar; não enviarei meu currículo porque acho que não tenho as qualificações necessárias; não irei visitar determinado lugar porque acho que é violento.

Na última semana, a judoca Rafaela Silva silenciou muitos que acharam que ela não era capaz. Negra, de infância pobre, residente da Comunidade Cidade de Deus, ela superou os obstáculos, quebrou o estigma de que todo morador de “favela” é bandido e provou que o que qualquer pessoa acha, a respeito de outra, pouco importa. O vital é o que presumimos sobre nós mesmos.

Estive no Rio de Janeiro acompanhando alguns dos jogos. Aproveitei também para desmistificar alguns dos meus achismos, como o de que o evento seria tumultuado. Diante de um acontecimento de tamanha proporção, que requer grande logística, tudo correu dentro do esperado. Os problemas estão surgindo, lógico, mas vão sendo ajustados. Não tenho uma visão utópica sobre uma melhoria expressiva na segurança da Cidade Maravilhosa. Ainda há crimes espalhados por aí e tivemos algumas provas. Porém, é preciso perder nossos “pré-conceitos”.

Acredito que seríamos mais felizes se, antes de achar algo, nós pesquisássemos sobre ele. Muitas vezes desistimos dos nossos sonhos por um medo tolo de achar que não é fácil, que não dará certo. Não há fórmula, mas também não há caminhar sem a quebra de certos julgamentos enraizados.

Pergunte, ouça, argumente... Não me venha com essa de “ouvi alguém falar que era assim”. Já dizia o provérbio: sábios discutem ideias. E antes de achar algo pejorativo, pense que somos definidos por quem nós queremos ser e não pelo que pensam a respeito de nós. Até a próxima.

Logotipo do Grupo DMI    Logotipo da Agência Formigueiro