Essa tal síndrome da “Medalha de Prata”

Essa tal síndrome da “Medalha de Prata”

Pela primeira vez, após longos meses que mesclaram alegria, ansiedade e ousadia, escrevo esta coluna em solo brasileiro. Admito: o encontro com o país foi mais prazeroso do que imaginava. Fazer novos amigos é incrível, mas reencontrar os antigos e a família, ah!, isso tem sabor de brigadeiro.


Ao chegar deparei-me com um clima de festa ainda maior, em função dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016. Um misto de ansiedade e preocupação parece assolar o país. Óbvio que a expectativa de receber o maior evento esportivo do mundo, que terá bilhões de pessoas com os olhos voltados ao Brasil, gera certo receio. Mas por que não confiar em nós?


Acredito que, muitas vezes, temos a Síndrome da “Medalha de Prata”. Vou me explicar. Tudo que é de fora é extremamente valorizado em detrimento do nacional. E por mais que nós façamos espetáculos encantadores, sempre tem alguém para dizer: “Mas lá, em um lugar qualquer, foi melhor”. Mesmo que o Ouro esteja próximo, ele quase nunca vem para as nossas mãos.


Em relação à Vila Olímpica, por exemplo, foi uma série de más notícias veiculadas, mas parte das próprias delegações e jornalistas afirmaram que não é tão incomum assim surgir problemas. O importante é realizar os ajustes e aprender com a experiência.


Ao conhecer parte do legado que a competição deixará, como o Museu do Amanhã e a Praça Mauá, pude observar que, sim, podemos fazer um belíssimo evento. Aliás, ele já está acontecendo. Novamente me senti no centro do mundo, ao ouvir sotaques tão diferentes. Tive a mesma sensação em outros países e me orgulhei de ter esse privilégio aqui no Brasil!


Não há como o evitarmos. Então, que nossa energia se sintonize para que possamos dar o melhor de nós. Já que somos conhecidos como bons anfitriões, alegres e hospitaleiros, que possamos fazer jus à fama.


Há violência? Sim. Há furtos? Sim. Mas onde não há? Eu mesma já tive um par de chinelo furtado em um ambiente fechado de Lisboa. Um par de chinelo usado, produto que tem valor irrisório. Ou seja, não é preciso achar que apenas o Brasil tem problemas. Há conflitos no mundo todo. É nossa responsabilidade fazer o melhor para vivermos um país melhor. E que as cortinas do espetáculo sejam abertas. E desejo “merda” para todos os nossos “artistas”.

Logotipo do Grupo DMI    Logotipo da Agência Formigueiro