Mente e coração abertos – Parte I

Mente e coração abertos – Parte I

Por acaso, você já ouviu falar da Royal Air Maroc? Pois é, se for como eu, pode até conhecer vagamente o nome, mas nunca soube nada além. Estava neste barco até precisar de comprar uma passagem e, após muito vasculhar a internet, descobrir que a companhia aérea com a melhor tarifa era ela. Havia, porém, um pequeno problema de aproximadamente 18 horas: uma escala em Casablanca, a maior cidade do Marrocos (para os de boa memória, é o país retratado na novela O Clone).

Com uma população predominantemente muçulmana, havia da minha parte certo “misticismo” em relação à região e especialmente à cultura, visto que, muitas vezes, o que é transmitido não necessariamente corresponde à realidade. Após ponderar os prós e contras, arrematei uma passagem.
Como uma boa viajante, o primeiro passo foi dar uma googlada (espero ter escrito certo a palavra), de forma a percebermais claramente com o que iria me deparar.

Recomendo a todos que desejam fazer uma viagem dar uma boa pesquisada porque é possível perceber os principais desafios, os pontos turísticos obrigatórios, dicas sobre transporte, entre outros. Além de passear pelo tradicional, adoro me “perder” e caminhar por ruazinhas fora das zonas mais famosas, pois só assim consigo captar um pouco da real essência do lugar, conhecer aquele restaurante pequenino, mas que serve o prato típico mais gostoso... Sabe o “pulo do gato”, que somente quem mora acaba descobrindo? Então, é isso que procuro.

Enfim, precavida, anotei todas as informações, levei dois lenços para cobrir o rosto (ok, admito, quis dar uma de Jade, nem que fosse por umas horas), escolhi a dedo roupas que não deixassem o corpo muito em evidência e segui em frente.

No avião, fiz amizade com uma brasileira que mora em Portugal e combinamos de ficar juntas. Antes, havia conhecido duas portuguesas que iriam para o Rio de Janeiro passar férias e um curitibano voltando de uma temporada de estudos em Lisboa. No desembarque, lógico, nos agrupamos, chamando a atenção de mais uma galera, que começou a nos acompanhar.

No Marrocos, eles falam predominantemente árabe e francês, duas línguas que não domino nada. Por isso, imprimi a minha documentação em inglês e francês, de forma que fosse possível facilitar a entrada na imigração.

Entretanto, para minha surpresa e quebrando o estereótipo de serem um povo fechado, percebi lá uma população acolhedora e sorridente. Ali mesmo peguei algumas informações sobre como andar no país, onde e quais horários eram ideais para visitar a região e o hotel em que deveríamos nos hospedar.

O grupo de 11 pessoas ficou instalado no mesmo local e se tornou uma grande família. O jantar foi agradável, com vários tipos de salada, arroz, carnes e sobremesas (os marroquinos amam doce) e o café da manhã trouxe diversos pães, geleias, sucos e um delicioso queijo de cabra.

Tudo nota 10. O mesmo posso dizer das refeições no avião, melhores que de muita companhia área. Infelizmente, não foi possível passear pela cidade porque o translado aeroporto/hotel foi demorado, mas como volto para lá em setembro, prometo dar novos detalhes sobre mesquitas, paisagens e mercado popular.

O mais maravilhoso disso tudo não foi estar em um país de cultura totalmente diferente, mas perceber que onde quer que se esteja, é possível conhecer pessoas incríveis, dispostas a ajudar sem pedir nada em troca.

Pasmem, fiz amizade com um rapaz do hotel e ele, sempre sorridente, foi mostrando, por meio de fotos no celular, sua esposa, filhos (ele praticamente babava quando falava deles),casa, trajes típicos e hábitos familiares. Aquele homem me deu valiosos conselhos sobre amor e vida no curto tempo em que ficamos juntos.

Não sofri nenhum tipo de preconceito ou desrespeito (e olha que nem cheguei a usar lenço), fato que não deveria surpreender. Muitas vezes, perdemos oportunidades preciosas de se abrir para o mundo por medo ou um preconceito que não foi fundamentado em vivências pessoais, mas relatos de outros.

Sim, esta foi minha experiência e ela foi das mais positivas. Porém, aconselho que antes de julgar, procure ver por si mesmo e tirar as próprias conclusões. Abra o coração e a mente para receber tudo de bom que pode ser proporcionado pelo desconhecido. Pode ser apaixonante. Até a próxima.

Logotipo do Grupo DMI    Logotipo da Agência Formigueiro