Quem é a princesa moderna?

Quem é a princesa moderna?

Enquanto escrevia esta coluna, ouvia clássicos da Disney. As músicas têm ajudado a conter minha ansiedade, à espera da estreia da nova versão do longa “A Bela e a Fera”, que ocorre esta semana. A animação de 1991 é, ainda hoje, um dos filmes que mais amo, pela mensagem de amor incondicional que traze por mostrar uma protagonistaforte, menos princesa e mais conectada com a realidade. De temperamento forte, mas dócil, a personagem não quer seguir os “padrões” de sua aldeia, assemelhando-se a muitas mulheres atualmente.

E quem são as mulheres atualmente? Olho ao meu redor e vejo uma multiplicidade de rostos. Há sonhadoras, guerreiras, independentes...Isso é ótimo, prova de que não temos de seguir uma mesma linha. As integrantes da minha família, por exemplo, têm tanta história que daria um livro. Sou filha de pais divorciados, o que me fez crescer observando minha mãe, bravamente, se desdobrar para nos criar e impor limites perante nossas amizades, namorados, trabalhos... Dona Ângelaassumiu todos os“papéis” necessários e nos educou para o mundo, de forma honesta e carinhosa.

Bia, minha irmã mais velha, veio para os Estados Unidos sem conhecer ninguém, com a cara, a coragem e um sonho no coração. Carol é de tamanha paixão que não há quem a impeça de trilhar seu caminho. Gi é a dualidade em pessoa: transparece ser delicada como uma flor, mas tem a força de uma rocha.Viemos inspiradas na matriarca, minha vó Nair, que certa vez passou um mês tricotando (no sentido real da palavra) em frente à porta de uma vizinha, que havia dito anteriormente que lhe daria uma “coça”. Isso tudo com seu menos de um metro e meio de altura. Somos assim, coragem não nos falta.

Vejo com orgulho que essa mudança de comportamento já começa a aparecernas crianças. A garotinha Daisy Edmonds ficou famosa após relatar (se não viu, vale a pena buscar no Youtube) que gostava mais dos dizeres das camisas de meninos do que das de meninas. Enquanto as peças femininas traziam frases sobre beleza, as masculinas falavam sobre criatividade e super-heróis, o que ela achava injusto. Concordo com ela; na minha concepção, o sexo feminino não tem nada de frágil. Temos de ser heroínas paraconciliar família, estudo, filho, trabalho, casa... Somos maisdo que donas de casa ou fiscais de preço. A princesa moderna é dotada de autoestima e atitude.

Na última semana, data em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, vimuitosdiscursos: uns inteligentes, como o da cerveja Skol, e outrostão baseados na ignorância que cheguei a me questionar em qual século estávamos.

Contudo, que fique claro que não precisamos de discursos ou homenagens em um dia específico e desrespeito no resto do ano. Queremosigualdade e respeito para que possamos decidir sobre nossos corpos, nossa vida, nossos pensamentos. Apenas isso. Não precisamos de ninguém nos dizendo o que fazer ou querer. Somos livres para decidir qual caminho iremos traçar.Eu sigo percorrendo o meu. E você? Até a próxima.

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