Meu Carnaval fora da folia

Meu Carnaval fora da folia

Enquanto escrevo esta coluna, acompanho em paralelo a timeline das minhas redes sociais e só vejo meus amigos curtindo as alegrias do verão e do Carnaval. É um tal de blocos, fantasias, praias, dancinhas, copos de cerveja e alegria sem fim. Até minha irmã Carol, que mora em Portugal, onde não tem o nosso samba, está aproveitando para fazer um tour pelo país. Rola uma ponta de inveja, admito; por aqui, nada de zoeira. Minha fantasia é um pijama bem confortável, o copo que me acompanha é uma garrafa de água e a única pintura que meu rosto tem recebido ultimamente é um leve tom de roxo abaixo dos olhos, chamado “olheiras”. Pois é, minha gente, estou em período inicial de escrita da dissertação e, vou te contar, não está sendo fácil.

Quando me aventurei a fazer um mestrado fora do país tinha em mente alguns dos desafios que viria a enfrentar, mas obviamente não sabia tudo o que iria acontecer. Na verdade, ninguém sabe até ter vivido as situações. Os primeiros meses do mestrado passaram com relativa rapidez, mesclados entre as descobertas de morar em um outro país, as aulas, os novos amigos, os empregos,a imersão em uma cultura diferente... Mas agora, me deparo com a solidão da escrita. Sempre soube que o processo de pesquisa era meio solitário; depende exclusivamente da minha determinação que, no momento, está meio falha.

Sento para fazer resumos e as palavras adequadas me faltam. E estou com dificuldades de me concentrar – tudo parece mais divertido do que pesquisar itens sobre Comunicação, Marketing, entre outros. Tem sempre uma série da Netflix despertando minha curiosidade (a bola da vez é How To Get Away With A Murderer, que recomendo), a cama está quentinha, um livro de romance está esperando para ser lido, um sobrinhoquer minha companhia em uma brincadeira ou há um passeio mais interessante com um irmão. Por vezes, me questiono se sou a única que vive esse dilema entre focar no necessário ou me divertir. Imagino que não.

Sei exatamente onde quero chegar e por isso penso que o problema não é foco, mas persistência. Acabei por perceber que é neste momento, como em outras fases da vida, que as pessoas (me incluo nessa) acabam desistindo.Caminham a parte mais difícil, fazem o inesperado e no final do processo, já desgastadas, deixam de saber como continuar em frente e largam mão. O mundo é dos fortes, já ouvi dizer, mas é cansativo estar sempre “marchando”. E por mais palavras de incentivo que se possa ouvir, o ato de perseverar tem de partir de nós.Ésó mais um degrau, mais um esforço, mais uma pequena vitória. Virei meio que uma ex-dependente, o lema é “só por hoje não desisti de ler artigos”. E sei que, no final, acabamos por ser recompensados por não se render. O sonho de ser professora é o objetivo final. Vamos caminhando juntos? Até a próxima.

Logotipo do Grupo DMI    Logotipo da Agência Formigueiro