Um amor que não cabe em nós

Um amor que não cabe em nós

Morar em outro país é enriquecedor, tanto do ponto de vista pessoal como profissional. Fazer novos amigos, conhecer outras culturas e aprender diferentes tradições é de encher o coração. Porém, se tem um fato que faz a balança pesar e que nos leva a querer voltar ao ninho são as saudades que sentimos de quem, momentaneamente, deixamos para trás.


Minha família está meio que “distribuída” por alguns países, especificamente Brasil, EUA e Portugal. É um processo doloroso saber que não poderei estar presente em todas as datas celebrativas como nascimentos, formaturas, aniversários. Sou dessas que, se pudesse, colocaria todos num potinho, só para poder abraçá-los todos os dias. Mas não dá.


O mesmo sentimento vale para meus amigos. Eles são a família que escolhi e olha, eu tenho muito bom gosto. São pessoas que preenchem meus dias de alegria, carinho, atenção e, muitas vezes, foram o suporte necessário para que eu tomasse as decisões certas. Em todas as vezes que viajei, seja saindo de Portugal, dos EUA ou do Brasil, sempre o fiz com os olhos marejados. Dizer até logo não é uma tarefa fácil. Esse é o ponto que considero mais difícil de ultrapassar.


Na última semana, estive visitando o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental de Portugal. Ao perceber que ali “apenas” o Atlântico me separava de toda uma vida, tive a certeza de que metade do meu coração estava do outro lado do oceano. Porém, também tive a consciência de que o amor é isso, certo? Quanto mais se dá, mais se tem.


Meu coração está em mais de um lugar, com mais de uma pessoa e assim, mesmo distante fisicamente, a tecnologia me permite dizer eu te amo todos os dias, aos amores da minha vida. Se você pode dizer presencialmente, um tanto melhor; por isso, recomendo que aproveite a dádiva. Até a próxima.