No meio da escuridão, o Natal

No meio da escuridão, o Natal

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Natal... o que falar dessa época? Onde os excessos de cores e luzes das fachadas, que normalmente seriam considerados bregas, se tornam encantadores?!

Natal é tempo de consumo, de presente, de correria às lojas para comprar bugigangas e lembranças para um monte de amigos, familiares próximos e também para aqueles tios distantes, que não fazemos a menor ideia de quem sejam, mas que nossa avó jura que são parentes e, como virão para a ceia, também merecem uma lembrancinha...

Natal... é época de infinitos amigo ocultos. Quando damos um presente melhorzinho mesmo tendo a certeza de que o que ganharemos será pior.

Natal... é época de entregar esse monte de presentes sem saber se vamos ganhar outro em troca. Alguns ainda justificam: Natal para mim é o ano todo, não apenas um dia.

Mas que consumo é esse? Que correria é essa? Qual o espírito da coisa?...

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O Natal, antes de ser uma festa tipicamente cristã, já participava de tradições religiosas mais antigas.

Independente do nome que recebia, era uma celebração do solstício de inverno, ou seja, uma celebração do dia do ano onde a noite é mais longa... onde a escuridão prevalece sobremaneira sobre a luz.

Se em uma primeira vista isso pode parecer macabro, a comemoração desse fenômeno da natureza é de um tremendo simbolismo e está nele o verdadeiro espírito do Natal, aquele que buscamos comemorar até hoje.

Imagine a situação: anualmente, depois do ápice do verão, a cada dia que se passa os dias vão ficando mais curtos e as noites mais longas, até que se chega no dia da noite mais longa do ano. Esse dia é conhecido como “solstício de inverno”.

Sabe o que acontece com as noites seguintes à noite mais longa do ano?

Passam a ficar menores. O sol passa a retomar a sua força. A luz vai ganhando mais tempo diante da escuridão. E vai ficando mais forte até o próximo solstício de verão, quando chega ao ápice da claridade.

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Assim, o Natal celebra a força do nascimento da Luz em meio às trevas.

Na escuridão não sabemos para onde ir. Nos perdemos mais facilmente.

Na claridade temos mais facilidade de nos locomover, de nos espalhar.

Na escuridão precisamos nos juntar, pois juntos, podemos vencer a escuridão. E isso se faz através de união, do esquecimento das desavenças (mesmo que temporariamente), do perdão.

Perdoar tanto ao próximo quanto a si mesmo, pois se não nos perdoamos não temos forças para entregar aquilo que temos de melhor.

Não podemos, durante a travessia da escuridão, só entregarmos o que temos de bom se o outro entregar também. Ou esperar que o outro possa entregar o mesmo que entregamos. É o caso do “óbulo da viúva”.

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Ou passam todos, ou não passa ninguém.

Assim não é também o nosso Natal?

Quando apesar das correrias, do consumo, das reuniões em família mais ou menos bem sucedidas, compramos para dar antes de receber (até para aquele tio que só sua avó sabe que é parente)?

Quando nos esforçamos, mesmo que a contragosto, a ficar pacificamente do lado de outros parentes que temos sérias desavenças?

Quando nos permitimos emocionar com decorações bregas e atos gentis?

Quando fugimos da rotina e nos permitimos fazer pequenas gentilezas porque sabemos que isso agradará à mãe, ao pai, ao cônjugue... Fazemos por eles, e não por nós (mesmo que inconscientemente esse ato de bondade ao próximo seja para nós mesmos).

Natal não é o ano todo, por isso precisa ser um ato concentrado de generosidade, de abnegação, de perdões, de estar com a família reunida e com os amigos. Isso faz com que lembremos da luz interior que temos, mesmo nos momentos de maior escuridão.

Viva o Natal, viva a luz!
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Esse texto será impresso no Diário Regional de Natal.