A corrupção nossa de cada dia

A corrupção nossa de cada dia

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Tento acompanhar os noticiários políticos para entender o que está acontecendo com o governo e com os poderes. Leio os jornais e mídias “imparciais” bancados pelos partidários das esquerdas e das direitas.

E o que percebo é o seguinte: são partidos. Não se busca unidade. É cada um querendo, no fundo, brasa para a sua própria sardinha.

E isso parece generalizado: independente de credo, casta, posição social ou econômica.

Adianta criar mais e mais leis se sempre se pode dar um jeitinho?

E vamos reclamar com quem? Esperar dos corruptos que criem leis para punir a eles mesmos?

Sobre isso alguns argumentam: mas os políticos que estão lá fazem errado porque representam exatamente o povo que o colocou lá.

Não... não coloque na minha conta a corrupção de quem governa. Cada um que assuma o seu erro. Os governantes não são interesseiros e gananciosos porque representam um povo de mesma natureza. Eles fazem isso porque são assim. Acreditar nessa falácia é a mesma coisa que um pai justificar que é pirracento porque os filhos também o são.

Há filhos chiliquentos. Ponto. Há pais chiliquentos. Ponto.

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Recentemente estive em uma cidade do sul do país que tem aproximadamente 35mil habitantes.

Já na chegada reparei que não existia semáforo em nenhum dos cruzamentos.

Logo imaginei: que bagunça deve ser isso aqui! Ainda mais em dezembro, quando a cidade recebe em torno de 550 mil turistas, de todas as partes do Brasil, ou seja, quase 20 vezes a sua população, com diferentes sotaques e hábitos.

Se quando há leis, policiais, radares e semáforos algumas pessoas já abusam no trânsito, imagine nessa cidade?

Para meu espanto, o hábito (que inclusive é uma lei nacional de trânsito) aqui é: pedestre pisou na faixa, o carro para. Independente de onde era a origem da placa, todos respeitavam o pedestre na faixa... inclusive quando era um grupo de excursionistas que passava sem compromisso com o tempo.

Mas porque se respeita isso nessa cidade se, muitas vezes, não o fazemos em nossas terras natais?

Não sei se é o entorno que estimula a se fazer o que é correto. Mas as ruas, casas e jardins bem cuidados são, sem sombra de dúvidas, um estímulo às pequenas gentilezas.

As pequenas demonstrações de urbanismo e urbanidade ali observadas provam que há muitas coisas boas latentes em nós. Apesar de tudo, ainda há esperança.
Quando pensamos em corrupção, logo pensamos em políticos, grandes corporações ou propinas...

Mas corromper-se também significa: perder a unidade.

Em arquitetura, como em qualquer outra área, há as pequenas corrupções cotidianas. E aqui se perde a unidade ou identidade da arte quando, por exemplo:
Não se respeitam os afastamentos frontais ou laterais exigidos para as edificações, tornando-as mais opressivas e atrapalhando, inclusive, o bom fluxo de ar e luz do entorno.

Não se respeitam as taxas de ocupação ou coeficientes de áreas permeáveis, o que diminui a absorção de água pelo solo, sobrecarregando os sistemas de coleta pluvial e ocasionando mais enchentes.

Quando se acredita que a estética é apenas uma coisa supérflua, diminuindo-se a estima do morador e do cidadão com relação ao seu próprio ambiente construído, com relação à sua cidade.

O belo, o estético, o funcional e o harmônico inspiram a melhoria dos usuários.

Corrupção vem de corrupta que, do latim, vem de cor (coração) rupta (pedaço, romper, ruptura). E o coração incorrupto é íntegro, funcional, harmônico.

O arquiteto e sua boa arquitetura não são a salvação do mundo, mas são parte da engrenagem de uma sociedade melhor, mais justa, bela e harmônica.

Veja mais artigos em: argusarquitetura.

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