A pinta da Monalisa

A pinta da Monalisa

TEXTO: Dani Fontes
2011 01

Os projetos arquitetônicos, de interior ou de decoração, sejam residenciais ou comerciais, precisam surgir de uma parceria entre o profissional e o cliente. Se não houver essa parceria, os anseios do cliente não conseguirão se transformar em um ambiente real.

O cliente expõe seu sonho. O profissional pensa nas melhores opções, descobre necessidades, cria soluções e gesta as propostas. Mas é o cliente que, de fato, transforma as propostas em realidade, permitindo a execução do planejado.

Cabe ao profissional respeitar o que o cliente gosta, quer e precisa.

Cabe ao cliente respeitar o trabalho do profissional contratado, abrindo a mente e o coração para novas possibilidades!

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O profissional tem o conhecimento técnico apropriado e a sensibilidade artística necessária para entender o cliente, podendo propor sugestões, inclusive, desconhecidas por esse, mas deve sempre respeitar sua espontaneidade. Essa espontaneidade, além de natural, é saudável na medida em que é o cliente que vai vivenciar o espaço. Os ambientes devem ser vistos como organismos vivos que sofrem transformações e adaptações naturais feitas por quem vive nele!

O cliente, por sua vez, deve ser honesto com o profissional (e consigo mesmo!), dizendo se há algum ponto no projeto que o deixa desconfortável ou se alguma solução não se enquadra com seu jeito.

Se o cliente não abraçar o projeto, não vai sentir o ambiente como extensão de si mesmo.

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Não havendo essa parceria, teremos um cliente frustrado com um espaço que não o atende... um profissional frustrado com o ambiente descaracterizado... e um o projeto que não cumpriu seu papel de satisfazer o cliente.

Depois do sonho posto, dos elementos técnicos, estéticos, funcionais e econômicos equacionados, das revisões e alterações acordadas, surge-se o projeto definitivo, onde cada parte faz parte de um todo harmônico.

Assim, finalmente parte-se para a hora do parto: a execução do projeto.

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Nesse momento, não raro, acompanhamos com pesar, mas de mão atadas, alterações que vão se sucedendo na obra descaracterizando o projeto e, mais do que isso, prejudicando a qualidade dos ambientes.

Ocorre, normalmente, pela insistência em fazer uma “mudancinha” aqui ou ali sem que se perceba o efeito dominó que, quase certamente, vai acontecer. Por mais que se chame a atenção para esse fato e se tente deixar claro o desencadeamento das coisas, sugestões de “famosos especialistas” como o “pedreirão com experiência” ou o “sobrinho que leva jeitinho para decoração” ganham muito peso no transcurso da obra.

Claro que um projeto não é engessado... há total liberdade em fazer ajustes e alterações. Inclusive em fase de obra, por necessidade ou mesmo escolha, há essa possibilidade. Mas o importante é que essas modificações sejam coerentes com o todo proposto.

Alterações mal pensadas, inserções ou exclusões mal planejadas podem tornar o projeto uma junção incoerente de ideias, prejudicando o funcionamento geral e desperdiçando o potencial do espaço/construção.

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É como se após Leonardo da Vinci ter entregue seu famoso quadro da Monalisa a Francesco del Giocondo (o cliente que encomendou o quadro), o sobrinho de Giocondo, “entendedor das tendências de moda e arte”, dissesse: coloque uma pinta sensual na bochecha dela... vi que no futuro uma tal de Marilyn Monroe fará muito sucesso com isso.

Arquiteto pra que, né? Clique aqui e se "desinforme" mais nesse vídeo.