Secretaria de Saúde contabiliza 1.653 casos prováveis de dengue em 47 dias

Secretaria de Saúde contabiliza 1.653 casos prováveis de dengue em 47 dias

O novo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde (SS) nessa terça-feira, 16, feito pelo Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, contabilizou 1.653 casos prováveis. Segundo a nova maneira de nomear os registros, esse total pode conter casos de Zika vírus e de Chikungunya, que ainda não foram confirmados e discriminados.
Não há, segundo o médico pediatra Antônio Aguiar, um grupo de risco de infecção pelas doenças relacionado à faixa etária, sendo que qualquer pessoa está exposta. O combate deve ser feito, conforme ele, em três frentes: a eliminação de criadouros do inseto, seguidos de cuidados para evitar a picada e a transmissão e, por fim, no caso de quem já pegou a doença, tomar medidas para não deixar pior o quadro.
A evolução das doenças no organismo depende de uma série de fatores, como o tipo de vírus com o qual se lida, se ele já possui algum tipo de mutação ou se vem em uma versão mais agressiva. Além disso, o estado geral da pessoa que recebe o vírus também influencia, além de qual tipo de perfil imunológico ela apresenta, se tem algum agravante ou se teve dengue nos últimos dois anos, o que pode provocar uma gravidade maior, conforme explica o pediatra.
“As campanhas não têm dado orientação sobre a importância de como conduzir a situação para quem for infectado. Muitas pessoas estão preocupadas com a dor e com o mal-estar que a doença traz, mas não estão falando da necessidade da hidratação. O que mata na dengue é um tipo de desidratação diferente daquela em que a pessoa apresenta vômito e diarréia, é mais oculta; e quando os sintomas estão mais evidentes, aparecem em curso avançado, oferecendo risco de morte”, alerta o médico pediatra.
Ele orienta que quando os primeiros sintomas de contágio surgirem, como dores no corpo, manchas vermelhas e dor atrás dos olhos, essa pessoa deve iniciar imediatamente uma ingestão maior de líquidos. “O paciente deve tomar mais água, chás, sucos, água e também o soro caseiro. Não há necessidade de comprar o soro. Com um litro de água, uma colher de sopa de açúcar e uma colher de sal, ele terá uma solução de reidratação fisiológica. O soro caseiro deve ser intercalado com os outros líquidos”, salienta Aguiar.
Ainda de acordo com o pediatra, um adulto em fase de desidratação deve ingerir de quatro a seis litros de água por dia. Já as crianças devem tomar em média 80 ml de liquido por kg. Ou seja, uma criança de 10 kg, deve beber, em média, 800 ml por dia.
“Muita gente se preocupa em acabar com a dor, porque incomoda. Mas mesmo com o remédio, esses sintomas não melhoram muito. No entanto, por mais que a dor incomode, ela não mata. Já a desidratação é o contrário. Ela mata. Não é à toa que o tratamento contra a dengue começa pela hidratação. Por isso, estão sendo feitos Centros de Hidratação em dois pontos da cidade”, ressalta.
A hidratação, desde a fase inicial da doença, pode mudar o curso dela, tornando o caso menos agressivo. No caso de sintomas mais graves, como alterações na pressão arterial e na circulação de sangue, a indicação é que as pessoas busquem atendimento médico de emergência ou os Centros de Hidratação. A dengue hemorrágica é o percurso final de todo esse desequilíbrio, que vai acontecendo quando a pessoa não se hidrata adequadamente, o que pode gerar um distúrbio de coagulação ou um equilíbrio total, conforme reitera Aguiar.

Conheça as especificidades de dengue, Zika e chikungunya

Dengue: Segundo Antônio Aguiar, essa é a mais grave entre as três doenças, porque ela mata. ”A dengue produz uma desidratação, comprometendo a economia do organismo de maneira tal que quando as alterações são instaladas, não conseguem reverter. A dengue, assim como a Zika e a Chikungunya, é uma doença sistêmica, que afeta todo o organismo, não só um órgão ou membro.

Zika: Estudos investigam a relação entre o vírus da Zika e a ocorrência de casos de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barrém, uma doença neurológica, auto-imune, na qual a pessoa vai perdendo os movimentos do corpo. Os sintomas podem atingir de formas mais graves a respiração e o funcionamento do coração. Mas, na maioria dos casos, a doença tem um desenvolvimento benigno e, em alguns lugares, é conhecida como dengue leve. O vírus da Zika e o da dengue são parecidos, são flavivirus da mesma família e têm sintomas muito semelhantes.

Chikungunya: É causada por um vírus diferente das duas doenças anteriores. Apesar de não serem da mesma família, apresentam sintomas semelhantes. É a doença com evolução menos agressiva, com menos potencial de produzir danos à pessoa. Porém, doença em que o caso de dor articular é muito mais intenso que as outras. A fase aguda da enfermidade passa, mas a pessoa continua com a dor até um ano após. Incomoda muito, embora não ofereça risco de morte.

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