Assembleia para decidir sobre possível greve na UPA São Pedro foi adiada

Assembleia para decidir sobre possível greve na UPA São Pedro foi adiada

Os funcionários que trabalham na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro São Pedro (UPA) decidem, em data ainda a ser confirmada, se a greve será deflagrada, por conta do atraso no pagamento do salário relativo a novembro e na primeira parcela do 13º salário. Desde o último sábado, 12, o atendimento na unidade foi reduzido para 30% do total. A assembleia, que deliberaria sobre o assunto, estava marcada para hoje, 15, mas foi adiada por motivos ainda não explicados.
“No momento estamos aguardando o repasse do Hospital Escola para poder efetuar o pagamento. Até este momento, não nos foi passada nenhuma sinalização de que a situação será revertida. Continuamos aguardando e mostrando a nossa indignação com o governo”, destaca o presidente do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos e Serviços Gerais de Juiz de Fora, Anderson Stehling.
Os contratos dos funcionários não serão renovados, já que o vínculo de gerenciamento da Fundação de Apoio ao Hospital Universitário (Fundação HU) com o hospital e com a UPA deve ser concluído no máximo até março de 2016, quando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) será a nova responsável por este serviço. Os atuais trabalhadores cumprirão aviso prévio, apesar de estarem na justiça para receberem os direitos deles.
Há ainda, além do indicativo de greve, uma ação coletiva para a rescisão contratual de todos os atuais funcionários, devido à falta de pagamento, correndo o risco da paralisação total do atendimento, caso este processo siga em frente.
“Estamos acompanhando a situação. Na verdade, não aceitamos essa justificativa de que não houve o repasse. Ainda não tem nada definido a respeito dessa situação. Todos os trabalhadores estão em aviso prévio. Mas se não há o dinheiro para o repasse, não deve haver para a rescisão também. Temos que ter certeza que, com essa nova licitação, vão cumprir as condições técnicas e financeiras para manter os pagamentos em dia”, ressalta o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão.
Ainda conforme Salomão, a situação pode impactar seriamente o atendimento na Cidade Alta. “É uma situação muito delicada. Temos o apoio do Ministério do Trabalho, que concorda com a deflagração da greve. Este é um momento muito ruim para a saúde em Juiz de fora, tanto para os profissionais, quanto para os usuários do sistema”, sentencia.
Conforme o superintendente do Hospital Universitário (HU), Erik Vidal, os funcionários da Fundação HU serão substituídos gradativamente pelos concursados da Ebserh, então, parte deles já foi desligada, e os outros trabalham em escala mínima, com cerca de 30% da força de trabalho. “Acreditamos que a situação deve ser resolvida rapidamente, porque o recurso do Governo Federal para quitar essa dívida com a Fundação deve vir ao longo da semana, e devemos ter a execução financeira disso”, exclama.
Ele acrescenta que são realizadas mais de 9 mil consultas por mês e que o atendimento após a mudança deve continuar o mesmo. Por conta da transição, segundo ele, houve uma redução na capacidade de internação, em até 50%. Os funcionários da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) estão trabalhando em escala para suprir a demanda remanescente dos funcionários da Fundação. “Temos uma previsão otimista de quitar os débitos com a Fundação. Até março, com o final do contrato, os funcionários da Ebserh devem assumir as funções”.
A Secretaria de Saúde informou em nota que “os constantes atrasos de repasses do Governo federal e do Governo de Minas, aliados ao momento de crise financeira nacional, têm impactado especialmente as contas do municípios e os pagamentos que precisam ser realizados. Muitos valores ainda não chegaram ao município este mês. A pasta ressalta que, independente disso, o pagamento de funcionários é de responsabilidade da empresa prestadora”.
A Fundação HU informa, também por nota, que já fez contato com as instâncias para regularizar o pagamento dos colaboradores do HU e UPA São Pedro e todas as instituições envolvidas estão trabalhando em conjunto para resolver a situação.

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