Prefeitura instala comitê de enfrentamento ao Aedes aegypti

Prefeitura instala comitê de enfrentamento ao Aedes aegypti

Justificada pela necessidade de acompanhamento do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LirAa) a campanha da Secretaria Regional de Saúde (SRS) apresentada na última quinta-feira, 10, culminou com a instalação do comitê municipal de Enfrentamento do mosquito, na última sexta-feira, 11. A união de esforços contou com a presença de representades de órgãos integrados às ações de prevenção e de conscientização, como as Secretarias de Saúde, de Educação, de Obras, do Departamento de Limpeza Urbana (Demlurb), as forças policiais e do exército e a sociedade civil representada pelo Conselho Municipal de Saúde.
O foco dos participantes ficou sobre a importância das ações de prevenção, já que a cidade não teria estrutura física, nem de pessoal para lidar com uma tríplice epidemia. “É necessário uma mobilização permanente porque ainda não temos informações sobre uma imunização ou cura definitiva para essas doenças. Por isso a mobilização é fundamental, para que não chegarmos a níveis alarmantes”, destacou o subsecretário de saúde, Rodrigo Almeida.
Ainda de acordo com ele, há uma preocupação muito grande com o lixo urbano, com mutirões, mas esse está em 4º lugar entre os depósitos prioritários. Os locais com maior infestação, de acordo com o levantamento apresentado, são os depósitos residenciais, como tanques, hortas, calhas, sanitários, entre outros. Seguidos de pratos, bebedouros e fontes ornamentais e de depósitos de solo, como barris, tambores e poços.
O índice de infestação predial, conforme a média infectologista do Centro de Vigilância em Saúde, Sônia Rodrigues, está em níveis alarmantes no município. Um dos bairros que estão recebendo maior atenção das equipes por conta da maior presença de focos é o Santa Cecília, na região Sul. Apesar de o quadro ser de atenção, ainda não houve nenhuma confirmação de caso do Zyka Vírus. E o número de óbitos por dengue, que foi de quatro o ano passado, caiu para um caso neste ano, até o momento. E o registro desta morte é de uma pessoa que veio com o vírus de fora da cidade.
“As duas novas doenças que são a Chicungunya e a Zyka têm complicações crônicas muito sérias. A Zyca, em 80% dos casos é assintomática, o que dificulta o diagnóstico. Por isso que o momento é de monitoramento. Ambas as versões são capazes de culminar em uma epidemia muito maior e mais grave que a da dengue”, esclarece Sônia.
Ela adverte que não dá para ficar tranqüilo. Principalmente porque o impacto de uma epidemia destas proporções poderiam ser desastrosas. “Estamos investindo em prevenção, pedindo as pessoas que abracem essa guerra junto conosco. Porque não teríamos como lidar com uma epidemia desse tamanho. Porque não temos nem suporte estrutural na rede de assistência de saúde nem de recursos humanos para o atendimento de todas as pessoas”, disse.
O vereador José Laerte (PSDB) lembrou a importância de inovar na maneira de chamar a atenção das pessoas, já que mesmo com todas as campanhas e iniciativas o registro de focos do mosquito continuam altos. “Precisamos de mais ousadia no combate, para que as pessoas realmente entrem de cabeça na prevenção e que as ações sejam mais efetivas”.
O Secretário Regional de Saúde (SRS), Oleg Abramov. reiterou a necessidade de inovações e explicou o objetivo da campanha “10 minutos contra a dengue”, que se baseou em evidências científicas de êxito com este tipo de ação. “Essa discussão ultrapassa muito a abordagem da saúde, por isso, no momento em que saímos do plano de contingência, envolvemos a cabeça da administração pública, que são os líderes do executivo e os fizemos assinar o plano de contingência. Por meio deles, as secretarias e a integração necessária para o combate serão atingidos e todos os atores serão devidamente acionados”, pontuou, pedindo ainda que os esforços sejam continuados, ininterruptos e que os encontros do comitê aconteçam, no mínimo, mensalmente.
Por fim, o prefeito Bruno Siqueira lembrou que as pessoas precisam adotar os cuidados e ajudar a disseminar com os conhecidos. “Os dados, tanto do país, quanto de Juiz de Fora são muito alarmantes. O nosso principal trabalho terá que acontecer dentro de imóveis particulares. Viemos de uma evolução em escala, que ora diminuía, ora aumentava. A dengue não está vencida e não podemos relaxar”, encerrou.