Número de casos de estupro de vulneráveis diminui 27%

Número de casos de estupro de vulneráveis diminui 27%

O número de registros de estupros consumados de vulnerável diminuiu em Juiz de Fora em comparação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a outubro deste ano, foram registrados 34 casos dessa natureza, enquanto que no ano passado foram registradas 46 ocorrências no mesmo período, o que representa uma redução de 27%.
    Em um caso recente, um avô ofereceu R$200 para a neta para que ela mantivesse relações sexuais com ele. A mãe da menina, percebendo alterações no comportamento da criança, denunciou. Para a delegada Especializada em Atendimento à Mulher, Carolina Gonçalves Magalhães, existe uma “cifra negra da criminalidade”, pois, apesar de as pessoas estarem mais dispostas a denunciar, muitos crimes ainda acontecem no interior das residências.  
     “Muitas ocorrências nem chegam ao conhecimento da polícia, ou pelas vítimas terem medo de denunciar ou porque os pais não estão atentos ao comportamento das crianças. Mas toda vez que os agressores veem uma situação efetiva de punição do agressor, seja por meio de condenação ou prisão preventiva, inibe o aumento da criminalidade. O número de denúncias tem sido crescente, mas ainda existem crimes contra a dignidade sexual que não são comprovadas, porque no momento do crime estão presentes somente a vítima e o agressor, e a maioria deles tem alguma ligação familiar com a vítima”.
    O estupro de vulnerável é caracterizado por qualquer ato libidinoso cuja vítima é menor de 14 anos ou não tem possibilidade de resistir. Ao contrário do estupro, o estupro de vulnerável não depende da violência ou da grave ameaça. Já a tentativa de estupro ocorre quando o autor tem a intenção de manter conjunção carnal com a vítima, mas algo alheio à vontade dele impede a consumação do ato. De janeiro a outubro deste ano, foram registradas cinco tentativas de estupro a vulneráveis.
    Segundo a delegada, os pais devem ficar atentos ao comportamento das crianças. “Qualquer dúvida, a criança deve ser levada à Casa da Mulher para que se possa encaminhar a vítima para um exame de corpo delito e verificar se houve abuso de fato ou uma tentativa. Geralmente, a criança fica mais recuada, com uma sexualidade mais aflorada. Há também a modificação do comportamento dela na escola. Muitas vezes, as vítimas não comentam com os pais por vergonha, mas chegam a falar com um colega de escola e com a professora”.
    Carolina destaca a importância de denunciar assim que se desconfia de um suposto abuso, visto que a possibilidade de colher materiais e provas são maiores. “A maioria das pessoas acaba não registrando no primeiro momento. Chega a acontecer de tentar resolver o problema em casa, às vezes até porque os próprios menores não falam no mesmo momento. No entanto, a partir do momento que o representante legal registra uma ocorrência, a gente intima a vítima, ouve o depoimento e a encaminha para o exame de corpo de delito para constatar a materialidade do crime. Ao primeiro sinal de violência, o responsável deve comparecer à delegacia. Quando a pessoa registra muito depois da prática do crime, tem que ser um depoimento muito coerente entre vítima e investigado, porque não há testemunha, e aí fica a palavra da vítima contra a palavra do autor”.
    A delegada afirmou ainda que, apesar de haver uma diminuição nos registros e aumento nas denúncias, a questão é que se deve sempre lutar contra o aumento da criminalidade. Ela citou ainda a Casa da Mulher, que faz o atendimento às vítimas de estupro e violência contra a mulher em Juiz de Fora, órgão integrado que funciona por meio de parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Mulher) e a Polícia Civil.