Produtos para ceia de Natal estão mais caros

Produtos para ceia de Natal estão mais caros

Com a aproximação do Natal, os juiz-foranos se preparam para pesquisar os preços dos alimentos para as datas comemorativas no fim do ano. As pesquisas, no entanto, podem demonstrar algo que ninguém quer ver: a ceia de Natal deve ficar mais “salgada” este ano. Com a inflação e a alta do dólar, em comparação ao ano passado, a expectativa dos comerciantes é de vender produtos mais baratos.
Na tentativa de não repassar o aumento de cerca de 20% no preço em alguns produtos, a dona de uma peixaria, Marisa de Matos Costa, aposta na redução da margem de lucro. Ela conta que, no ano passado, vendeu bacalhau, mas com o aumento de mais de 50% no valor do produto, optou por trabalhar com peixes mais baratos neste ano.
“Os itens que mais tiveram aumento foram o salmão, camarão e o dourado. O bacalhau aumentou muito e o pessoal acaba decidindo comprar peixes mais baratos, por isso desisti de vender neste ano. Estou colocando o mesmo preço de dois meses atrás nas mercadorias, pois prefiro perder um pouco do lucro do que perder o cliente”.
Para Lucas Almeida, gerente de uma loja no Mercado Municipal, no entanto, é quase impossível não repassar os aumentos para os consumidores. “Percebemos um acréscimo de 20% a 30% nos produtos importados, que vieram aumentando durante o ano, com a conjuntura econômica. Alguns aumentaram até um pouco mais, como o damasco, que subiu 50%. A gente acaba tendo a preocupação de evitar repassar para o consumidor, mas com o aumento de produtos básicos, é o consumidor que paga, não tem jeito”.
Ainda segundo Almeida, os produtos que mais tiveram aumento nos preços foram os importados, que subiram com a alta do dólar. “Nozes, castanhas e avelãs tiveram aumento. Os produtos típicos de Natal são os mais procurados e os mais caros. Nessa época, tem esse aumento por conta do aumento da demanda, mas também pela crise e inflação os preços vieram aumentando durante o ano, e o susto não foi tão alto”.
Para o produtor e presidente da Associação de Produtores do Ceasa Juiz de Fora, Elcio Miguel Ferreira, as expectativas não são muito boas. “Um produto que no mês de fevereiro era R$90, agora está R$160. Tudo que vendemos hoje teria que ser vendido a um valor duas vezes maior para cobrir o custo de produção. O preço do dólar interferiu muito nesses valores”.

PESQUISA


A Prefeitura de Juiz de Fora realiza pesquisas sazonais para verificar diferenças relevantes de preços de produtos típicos em datas comemorativas. Segundo o economista responsável pelo setor de pesquisa da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) da Prefeitura de Juiz de Fora, Paulo Marcos Barbosa Guedes, o preço do dólar afetou diretamente no custo de produção no país. “Por conta da recessão, os consumidores estão comprando menos, então menos produtores vão oferecer, com preços maiores. O dólar está oscilando, o que contribui para esses aumentos. De outra forma, existe a compensação. O consumidor não vai comprar uma fruta importada, mas pode comprar outra, fazendo uma substituição. Se o mercado considerar só o nicho de importados, a expectativa é de perder vendas, mas se considerar o contexto, os produtos nacionais contribuirão para a economia”, encerra.
Conforme apuração realizada pela SAA, entre os produtos natalinos, o item do grupo dos “enlatados” que apresentou maior variação de preços foi o champignon em conserva (mais barato), que apresentou uma variação, entre supermercados, de 110,91%, custando de R$5,59 a R$11,79. Outros três produtos do mesmo grupo que oscilaram foram o figo em calda (lata e/ou vidro mais barato), que variou 104,74%, de R$6,79 a R$13,90; azeite extra virgem (mais barato), 86,72%, de R$7,98 a R$14,90; e os aspargos em conserva (mais barato), 71,46%, de R$8,69 a R$14,90.

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