Semana de Luta contra a Aids tem como foco o trabalho de conscientização dos jovens

Semana de Luta contra a Aids tem como foco o trabalho de conscientização dos jovens

O Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids completa 20 anos e a Semana Mundial de Luta contra a Aids começa em Juiz de Fora com todos os esforços voltados para a conscientização, ação que precisa ser permanente. No auditório do Centro de Vigilância em Saúde, alunos do Serviço Social do Transporte (Sest Senat), assim como da Aldeia S.O.S., participaram da abertura da programação da Semana em Juiz de Fora, que contou com a presença do prefeito Bruno Siqueira e propôs uma discussão a respeito dos direitos dos adolescentes frente às DSTs. Informação e educação são os caminhos adotados para garantir a prevenção da doença.
“Nos preocupamos em reunir, nesse espaço dedicado ao tema, não apenas informações sobre a saúde, mas também educação e direito, por compreender que é preciso ampliar a assistência ao adolescente. Nós os recebemos a partir dos 12 anos. É importante que eles saibam que podem e devem fazer a testagem”, destaca a epidemiologista e coordenadora do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), Patrícia Moura da Silva Guércio.
Os números apontam que a cidade está em situação de estabilidade. Até o início da segunda quinzena de novembro, 3.501 testes haviam sido feitos, registrando um aumento de 12% no número de exames realizado em 2014, que fechou em 3.079. Desse total, 109 resultados foram positivos para o HIV. Os homens foram maioria tanto na realização dos testes, 1.944, como no diagnóstico positivo, 83. Do total, foram testadas 1.557 mulheres e 26 foram confirmadas com o vírus. Em relação à 2014, o diagnóstico revelou que 108 pessoas estavam infectadas.
O coordenador do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Controle de Aids (DST/Aids), Oswaldo Alves dos Santos Júnior, explicou que a campanha batizada de “Paixão pela Vida” pretende ressaltar a preservação para que as metas de diminuição da doença sejam superadas.
“Juiz de Fora se manteve estável quando comparada aos números do país. É importante lembrar também que de 35% a 45% do total de pacientes no sistema é proveniente de outros municípios. A campanha é divulgada ao longo de todo ano e, neste ano, nossa ênfase foi sobre os jovens das faixas etárias entre 15 e 26 anos, porque eles não tiveram contato com a geração que viveu de maneira mais agressiva os primeiros anos, com casos emblemáticos no Brasil e no mundo. Isso, além das medicações que foram desenvolvidas, leva a uma banalização, o que combatemos”, ressalta.
A cabeça do jovem, que é o principal alvo da conscientização, foi fio condutor da discussão. “É interessante participar, porque muita coisa se passa, tem muita gente que se preocupa com a gravidez, mas também é preciso prevenir contra as doenças sexualmente transmissíveis. A falta de abertura para receber informações pode ser uma inimiga da prevenção, porque muitos acham que sabem. A maioria conversa com amigos, enquanto essas informações sobre o sexo seguro deveriam partir de casa, de dentro da família”, considera a estudante de Administração pelo Sest Senat, Priscila Aparecida Pires, de 18 anos.
“Não podemos relaxar”, exclamou o prefeito. Bruno Siqueira salientou a importância de reunir os atores sociais de maneira integrada para melhorar ainda mais os índices. “É um cuidado necessário. O vírus pode estar em qualquer pessoa, são várias as formas de transmissão. Por isso é preciso informar e conscientizar, e a prevenção é o caminho. Esse trabalho se mostra cada vez mais importante”.

A experiência como sinal de alerta


O Centro de Apoio e Solidaried’Aids acolhe diversas histórias e, além de informações, promove bem-estar social e apoia a prevenção da doença. A caminhada de quem aprendeu a conviver com o HIV reforça a importância de evitar a doença. Para não expor as pessoas, que decidiram dividir os depoimentos, optamos por proteger as identidades das mesmas.
O primeiro caso reforça como o apoio é fundamental para quem recebe a notícia. Uma tosse insistente e a patroa, que percebeu o problema, a levaram para atendimento médico. Uma tuberculose foi o meio pelo qual ela soube que é soropositiva.
“Não foi e não é fácil. Não desejo isso nem ao meu pior inimigo. Aprendi a conviver com a doença com o apoio da minha família, principalmente da minha mãe. Já tive momentos mais difíceis. Em um deles, tomava 28 comprimidos. Eram duas mãos cheias de remédio. Agora, tomo três de manhã e três à noite. As pessoas precisam saber que a doença é para o resto da vida e as medicações também. Aconteceu, mas é preciso continuar. Muita gente desiste da vida, mas essa não é a melhor opção”, esclarece. Ela recomendou aos jovens que usem o preservativo. “Sexo é muito bom, mas tem que ser feito com camisinha. Não tem jeito, se previnam porque a doença é para o resto da vida”.
Uma segunda mulher explicou que depois de descobrir a Aids e ter 5 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), a maior dor foi não ser aceita pelo próprio filho. “Ele me agredia, me xingava. Ele tem vergonha de mim. Para mim, isso é muito difícil”, narra, aos prantos. Ela continuou o relato, dizendo que pegou o vírus em um relacionamento. “Quando recebi a notícia, foi como se uma bomba tivesse atingido a minha cabeça, sofri muito”. Apesar das dificuldades, o tratamento trouxe oportunidades e ela comemora a formatura que se aproxima. “Vou me formar professora esse ano e vou trabalhar em uma escola municipal. Estudo inglês, francês e português. Acredito em Deus, e para Ele, nada é impossível”.
No terceiro caso, a falta de amparo da família tornou a notícia da soropositividade ainda mais difícil. “Estava muito doente quando descobri o HIV. Fiquei internada um ano até ter alta. Depois disso, minha família me abandonou me senti como se tivesse morta. O preconceito foi o meu maior problema, principalmente por ele ter vindo de dentro da minha família. Preferia que tivesse vindo de fora. Eles me disseram que não podíamos conviver”, disse.
Em cada um desses relatos fica aparente, mesmo com o avanço dos meios de tratamento, o impacto e a série de mudanças que conviver com a Aids traz para o cotidiano. Além disso, fica muito aparente, também, a falta de informação e de formação das pessoas para lidarem com os portadores do vírus, o que só fortalece a importância da conscientização.

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