Compra de bens duráveis é deixada de lado por conta de crise

Compra de bens duráveis é deixada de lado por conta de crise

Uma intensa crise econômica tem atingido o Brasil desde 2015, causando grande queda no poder de compra da população. Com um momento político conturbado, a incerteza tem preocupado brasileiros, que têm buscado estratégias para fugir à crise. Diferentemente dos últimos anos, nos quais a classe C começou a consumir um grande número de bens duráveis, atualmente essas compras diminuíram, demonstrando uma maior cautela por parte da população.


Em 2013, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) registrou um crescimento de 7,8% no número de unidades domiciliares com máquina de lavar, alcançando uma proporção de 58,3% no país. Em relação ao número de computadores, a presença do equipamento nos domicílios cresceu em 8,8%. “O brasileiro teve um grande acesso aos créditos nos últimos tempos, com uma certa facilidade”, explica o economista Carlos Paixão. “Houve uma enorme quantidade de compras parceladas, fazendo com que as pessoas assumissem compromissos financeiros e estejam, até hoje, por conta desses pagamentos”.


Atualmente, porém, as pessoas estão retraindo o consumo. “Uma coisa é vinculada à outra, o consumo caiu devido à queda do poder de compra. A renda tem permanecido a mesma, e os preços têm aumentado. A inflação tem causado receio nas pessoas, que tendem a priorizar mais as necessidades, deixando de lado o momento de lazer e a compra de bens duráveis, para que elas possam ter aquele dinheiro para uma situação mais delicada”, analisa.


A supervisora administrativa Adriana Pires tem sentido os efeitos da crise, e adiou compras maiores por conta do aumento dos preços. “Para mim, parece que o salário está até diminuindo. Está tudo muito caro, e nesse momento, impossível pensar em comprar ou trocar eletrodomésticos. Estava precisando de uma nova máquina de lavar, mas enquanto a antiga estiver funcionando, mesmo que não tão bem, vou adiar essa compra. Os juros estão altíssimos, a melhor forma de comprar é à vista, mas não tem como, porque o salário mal dá para as necessidades mensais”, lamenta a consumidora. “A gente tem cada vez mais notícias de empresas fechando, reduzindo o pessoal. Está bem complicado. Temos que priorizar as maiores necessidades, porque nunca se sabe o dia de amanhã”.


Gerente de uma loja de automóveis, Rogério Zambelli relata que tem sentido cautela da população na hora da compra de veículos. “Temos notado maior cuidado em relação a esse consumo, ainda que o automóvel seja um bem muito desejado. Até mesmo as financeiras estão mais seletivas quanto à liberação de crédito, então as pessoas não têm conseguido financiamento com tanta facilidade. Além disso, o valor dos veículos mais vendidos não está ultrapassando os R$25 mil”.


A prática é explicada pelo economista Carlos Paixão. “Hoje há a identificação de uma prioridade, do que é preciso mais imediatamente. Se a pessoa tem que se deslocar com frequência, o automóvel é uma necessidade. Se há um desgate, essa pessoa adquire um automóvel mais simples do que gostaria. Mas, ao mesmo tempo, ela questiona se realmente precisa de uma televisão 3D de tela plana, por exemplo”.


Até que a situação se estabilize, a recomendação é evitar dívidas. “É fundamental gastar menos do que se ganha, o que boa parte da população não consegue. Como somos um país cuja compra é uma condição de lazer, fica difícil dizer para deixar de comprar, pois o objetivo não é esse. O objetivo é ter uma compra racional”, aconselha Carlos. “O momento infelizmente não nos permite o erro na compra de produtos, pois uma compra mal planejada pode gerar uma obrigação futura que pode comprometer até as despesas básicas mensais. É essencial adquirir o estritamente necessário nessa fase, para que a gente possa ter sempre um recurso no caso de uma emergência”.

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