Reajuste no valor de medicamentos pode chegar a até 12%

Reajuste no valor de medicamentos pode chegar a até 12%

Ao final dos meses de março, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) divulga o reajuste oficial e anual do preço dos medicamentos. Apesar de ainda não haver valor oficial, a indústria farmacêutica nacional tem estimado um aumento de até 12,5%, e, caso as farmácias optem por repassar todo o reajuste, o consumidor deve sentir no bolso mais um aumento nos preços. Em Juiz de Fora, segundo o Sindicato dos Práticos de Farmácia e dos Empregados no Comércio de Drogas, Medicamentos e Produtos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinprafarma), o aumento não deve passar de 7%.


“Todo aumento e mudanças de medicamentos pelas indústrias farmacêuticas são feitas no mês de março. O valor é calculado sob o produto interno da indústria farmacêutica e a inflação do ano, por isso chegou-se ao patamar de 12%, mas acredito que deva ocorrer na faixa de 7%, e esse aumento não vai atingir todo tipo de medicação. Hoje, os medicamentos são um mercado de primeira necessidade, mas a margem de lucro é muito alta e o consumidor é prejudicado”, afirma Paulo Arêde, presidente do Sinprafarma. Ele afirma que os medicamentos que sofrerão o aumento ainda não foram definidos.


Conforme Arêde, a expectativa, no entanto, é que o reajuste não seja repassado completamente para o consumidor, principalmente porque as farmácias têm adotado uma postura de incentivar a utilização de medicamentos mais baratos, como os genéricos, por exemplo, como estratégia para não perder clientes. “Acredito que algumas farmácias vão tentar reduzir a margem de lucro para manter o preço, tanto as farmácias menores como as grandes redes. O genérico está dominando o mercado, porque tem o mesmo efeito e o preço é muito inferior. Outra opção é a compra do medicamento bonificado, que é ainda mais barato. Com exceção das redes, encontra-se com facilidade nas farmácias de Juiz de Fora”.


Para o economista e professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Wilson Rotatori, o prejuízo do reajuste para o consumidor pode ser grande, considerando a conjuntura econômica nacional. “Nessa escala, considerando que a renda dos trabalhadores está estagnada ou caindo por conta de desemprego, é um prejuízo muito grande, porque o medicamento entra na cesta de consumo de todo mundo. Mas para algumas partes da população, o impacto pode ser ainda maior, como para as pessoas idosas, pois o peso é muito maior no orçamento, visto que elas gastam mais com medicamentos”.

Economia


Para Fernando Martins Felippe, proprietário da farmácia Central Genéricos, é inevitável que o reajuste seja repassado para o consumidor, mas a porcentagem de reajuste dos preços pode ser menor. “A concorrência dita os preços no mercado, e é interesse nosso que consigamos manter os preços para que o consumidor não sinta muito esse aumento, então utilizamos algumas estratégias para que o aumento não chegue ao consumidor. O fator extra é a crise. Mesmo antes do aumento já notamos a postura do consumidor de pesquisar mais e optar por genéricos”.


Segundo a farmacêutica Matilde Cury Rachid, da farmácia Droga Mais, os jovens costumam aceitar melhor a indicação dos medicamentos genéricos. “Muitas vezes, eles já chegam pedindo o genérico com a receita, pois já têm conhecimento que o preço é mais acessível e a função é a mesma. O que a gente acha mais dificuldade é com relação a pessoas idosas, que não aceitam o genérico, pois já estão acostumados e não aceitam a troca. Ainda assim, procuramos indicar o genérico ou tentar barganhar o valor com o cliente, com o objetivo de tornar a compra mais barata para ele”.


Segundo Rotatori, a melhor opção para tentar economizar ainda é a pesquisa de preços. “Faz diferença procurar pelo genérico porque, nesse caso, a pessoa não está pagando pela marca, mas pelo princípio ativo. Isso é muito importante, pois os laboratórios gastam muito dinheiro com a marca, e o consumidor paga por isso na hora de comprar o remédio. Mas a pesquisa de preço ainda é útil, pois há descontos que variam de uns estabelecimentos para outros. Às vezes, há condições de fazer descontos diferentes, dependendo da estrutura, e a pessoa consegue um desconto maior”.

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