Pais de alunos protestam por falta de professores depois do início do período letivo

Pais de alunos protestam por falta de professores depois do início do período letivo

Depois de um mês após o início do período letivo de 2016, algumas turmas do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (PM) continuam sem aulas de matérias como Matemática, Ciências, Geografia, entre outras. Para mostrar à comunidade a demora na resolução do problema e o prejuízo para os alunos, um grupo de pais se reuniu, na manhã dessa terça-feira, dia 1º, para uma manifestação pacífica sobre a condição adversa.


“Desde o dia 2 de fevereiro, meu filho está sem aulas das disciplinas de História, Português, Ensino Religioso. Nos horários em que faltam esses professores, a turma fica ociosa e sozinha. Eles ficam, às vezes, das 7h às 12h para assistir uma aula só”, relata a mãe de um dos alunos, do sétimo ano do Ensino Fundamental, Daniela Siqueira.


A preocupação dos responsáveis pelos alunos é o prejuízo relativo ao conteúdo que, teoricamente, não será reposto, já que o problema aconteceu antes de os professores serem chamados. “Eles não deixaram de dar aula, pois ainda não tinham sido contratados, então não houve falha deles. Com isso, ainda não sei como vamos fazer para conseguir que os meninos não tenham um prejuízo tão grande. O pior é ainda não saber quando a solução virá”, afirma Daniela.


A manifestação contou com pais de alunos que se organizaram pelas redes sociais. “Entendemos que precisaríamos levar esse problema para a população, após identificarmos a demora na contratação e nomeação dos novos professores. Sabemos que esse processo é demorado e tem várias etapas, mas o problema é que o governo, sabendo disso, deixou para a última hora. Estamos preocupados com nossos filhos. Sabemos que a escola não tem culpa. Ela precisa obedecer às regras, mas há um prejuízo”, explica a professora Soraya de Carvalho Leal Santos, cujo filho também faz parte de uma turma de sétimo ano do Colégio.


Há dias em que os alunos ficam na escola de 7h a 11h50, cumprem a carga horária exigida, mas não recebem o conteúdo que deveriam aprender, porque os professores ainda não foram nomeados, reforça Soraya. “Tem dia em que eles assistem a apenas uma aula. Sabemos que o procedimento é demorado, assim como sabemos que eles ficam sozinhos em boa parte do tempo, já que a escola não tem funcionários para ficar em tempo integral com eles. São dadas atividades nesse período, mas não é aquilo que está previsto na grade curricular deles”, acrescenta.


A tenente coronel Kátia Moraes, coordenadora administrativa do Colégio Tiradentes, esclarece que o procedimento foi demorado porque a lista de designação de professores concursados saiu no dia 12 de janeiro, no entanto, outra lista, retificada com o corte de uma série de servidores, foi lançada no dia 27 de janeiro para concursos ocorridos em 2011 e 2013.


Após esse lançamento, os concursados foram chamados para verificar o interesse e, depois, passar por outras etapas, que envolvem exames médicos de sangue, tireóide, e videolaringoscopia, e isso leva tempo, já que os próprios profissionais precisam marcar esses exames, fazê-los, para, depois, apresentá-los a um médico para avaliação. Depois de liberados, eles ainda passam por conferência de documentos e assinam o termo de posse da vaga em Belo Horizonte, antes de começar a lecionar.


Enquanto todos esses passos aconteciam, no entanto, os alunos já tinham começado no período letivo. “No momento, ainda estão faltando cinco professores para completar o quadro. Sabemos que os pais estão preocupados, porque o nosso calendário foi mantido. Temos provas marcadas já para os dias 5 e 6. Mas o Estado já nos autorizou a modificar o quadro. Estamos nos esforçando para não haver prejuízo aos alunos”, comenta a tenente coronel.


Ainda de acordo com Kátia Moraes, o conteúdo no colégio é dividido em trimestres, e o conteúdo que não foi dado nesse mês deve ser diluído ao longo do ano, sem que seja necessário acelerar o processo. “Trabalhamos com 73 professores no total, e 51 foram contratados para lecionar para alunos desde o primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio. Somos solidários às preocupações dos pais e estamos confiantes de que a maioria dos professores que estão faltando cheguem até a próxima semana”, espera.


Ela ainda comenta que a equipe do colégio tem se esforçado para não deixar os alunos sozinhos em sala de aula, reforçando lições de disciplina e momentos cívicos, assim como outras atividades pedagógicas. “Tranquilizamos os pais. Não estamos liberando os alunos porque continuamos contando a carga horária. Se eles não vêm, perdem a presença”, reitera.