Chuvas deixam bairro Santa Luzia alagado

Chuvas deixam bairro Santa Luzia alagado

As chuvas do fim de semana, principalmente no último domingo, 28, causaram estragos em diversas regiões da cidade. No bairro Santa Luzia, região mais afetada pelas chuvas, alguns moradores e comerciantes tiveram diversos prejuízos por conta da enchente, que inundou a região central do bairro, localizado na zona Sul.


O Corpo de Bombeiros foi chamado para atender três ocorrências de pessoas que ficaram ilhadas, além de deslizamentos de terras e quedas de árvores em outras regiões. No total, o órgão registrou 78 chamados durante o fim de semana. A Defesa Civil registrou 30 ocorrências, além de outras 14 somente das 8h30 às 17h dessa segunda-feira, 29.


Segundo a Defesa Civil, o volume médio de chuvas foi de 42,36mm, sendo que nos bairros Floresta, Aeroporto e Bairro de Lourdes choveu 86,98mm, 84,68mm e 82,62mm, respectivamente. Foram registradas 30 ocorrências: 18 na região Sul, seis na Sudeste, quatro na Oeste, uma na Norte e uma na central.


Nessa segunda-feira, outras 14 ocorrências foram registradas. Entre os chamados, foram seis orientações técnicas, duas infiltrações em parede, dois desabamentos de muro de divisa, uma trinca em muro de divisa, uma reavaliação, uma ameaça de desabamento de muro de divisa e uma infiltração em piso. No fim de semana, quatro alagamentos foram registrados e três desabamentos parciais de edificação, entre outras.


“Tivemos deslizamentos de terra nos bairros Dom Bosco e Santa Cecília. No Cascatinha, tivemos um problema com um muro, e no Sagrado Coração de Jesus também teve inundação. Todos os locais estão sendo monitorados, porque estamos em uma época propícia para esse tipo de ocorrência”, segundo o subsecretário da Defesa Civil, Márcio Deotti.


Segundo a assessora de comunicação do Corpo de Bombeiros, tenente Priscila Adonay, as ocorrências atendidas pelo órgão estão relacionadas a diversos tipos de chamados. “Por conta do alto índice pluviométrico, recebemos muitas demandas em razão de quedas de árvores e riscos de queda, além de perigos de eletrocução e ocorrências de enchente e de enxurrada”.

SANTA LUZIA


Os dois órgãos, no entanto, elencaram a região do bairro Santa Luzia como o local onde as ocorrências foram mais graves, relacionadas à inundação. Márcio Deotti, no entanto, explica que o grande volume de chuvas registrado no bairro foi decorrência da inundação do córrego, que não conseguiu escoar todo o volume de água.


“No Santa Luzia, a contribuição mais significativa da chuva, aparentemente, saiu do entorno do bairro. A chuva que causou a inundação veio de outras regiões da cidade, que estão dentro da mesma bacia de contribuição do córrego Santa Luzia. Ontem [domingo] percebemos que, além da grande quantidade de chuva, também tinha muito lixo nos locais de alagamento. Isso acaba causando prejuízos, principalmente para a população ribeirinha”.


Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro Santa Luzia e adjacências, Ary Raposo, o problema é estrutural, visto que o córrego recebe água de vários bairros no entorno da região. “Santa Luzia sempre conviveu com esse problema de alagamento, mas após a reforma da Deusdedith Salgado, que foi canalizada, e com a criação do Estrela Sul, toda essa água vai para o córrego e o volume está maior. Quando temos grandes chuvas, ou uma chuva concentrada, o bairro sofre porque é a parte final da calha. Dessa vez foi uma coisa assustadora. A última vez que aconteceu desse jeito foi em 2001”.


Conforme Raposo, muitos moradores e comerciantes do bairro tiveram prejuízos. “Todo o comércio perdeu muito, e o pessoal está sofrendo bastante. Já tivemos muitas conversas com a prefeitura sobre isso, e o que acontece é que algumas medidas estão sendo tomadas. Mas é uma obra muito cara, e o próprio prefeito tem corrido atrás de recursos, pois é uma obra que nem mesmo o Estado seria capaz de fazer”.


A justificativa é a mesma utilizada pelo subsecretário da Defesa Civil. Segundo Deotti, “o que identificamos no Santa Luzia é que, quando foi dimensionada aquela rede, a base de cálculo era de chuvas acima do normal de 50 em 50 anos, o que significa que a rede precisa de um novo dimensionamento e uma nova solução, que é uma coisa que não conseguimos vislumbrar com pouco recurso”.


Segundo o Corpo de Bombeiros, ninguém ficou ferido com a inundação. “Efetuamos a retirada de três pessoas ilhadas, tanto a pé como dentro do carro. Retiramos as vítimas e as colocamos em locais seguros. Fizemos a orientação dos moradores da área mais atingida a permanecer em níveis mais altos, por risco de contaminação e outro tipo de acidente”, destaca a assessora de comunicação do órgão.


A orientação é de que, em casos de inundação, as pessoas aguardem a chegada do Corpo de Bombeiros para a realização de salvamentos de pessoas ilhadas, bem como retirada de árvores caídas, por exemplo. Nessa segunda-feira, cerca de 200 funcionários da prefeitura atuaram fazendo a limpeza do bairro.


Durante as chuvas de domingo, os bairros Santa Efigênia, São Pedro, Vila Belmar, Santos Dumont, Bosque do Imperador, Salvaterra, Aeroporto, Novo Horizonte e áreas rurais ficaram sem luz, segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). No entanto, a Companhia informou que a energia elétrica foi restaurada cerca de três horas após o desligamento.

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